Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Suspeitas de eutanásia investigadas pela PGR

  • 333

EUTANÁSIA. A morte assistida é a última das liberdades de um cidadão, que é a decisão de como morrer

JOSÉ CARLOS CARVALHO

Equipas do Serviço Nacional de Saúde terão proposto a morte assistida de doentes terminais

A proposta de administração de fármacos para antecipar a morte de doentes em fase terminal em unidades públicas de saúde vai ser investigada pelo Ministério Público. A eutanásia é proibida em Portugal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) quer esclarecer os casos de sugestão de eutanásia denunciados esta sábado pela bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco.

Ao Expresso, a assessoria de comunicação da PGR adianta que "o Ministério Público, sempre que tem conhecimento de factos suscetíveis de integrarem a prática de crimes, age em conformidade através da instauração do competente inquérito".

Em causa estão as declarações de Ana Rita Cavaco em entrevista à Rádio Renascença, revelando ter assistido a tentativas de eutanásia. "Vi casos em que médicos sugeriram administrar insulina àqueles doentes, para lhes provocar um coma insulínico. Não estou a chocar ninguém, porque quem trabalha no SNS sabe que estas coisas acontecem por debaixo do pano, por isso vamos falar abertamente”, disse nessa entrevista à Renascença

Bastonária sem receio

Ao Expresso, Ana Rita Cavaco garante estar serena. "Não posso estar preocupada com o que não disse. Não disse que vi acontecer nem que se matam pessoas todos os dias nos hospitais, disse que este é um assunto que precisa de ser discutido, porque a eutanásia está nos corredores do SNS, ou seja, esta discussão faz-se nas equipas." E é perentória: "O que se está a empolar é próprio de quem nunca cuidou de doentes no dia a dia."

Sobre a sugestão de administração de insulina com o objetivo de provocar o estado de coma e de seguida antecipar a morte do doente terminal, a enfermeira explica ao Expresso que o exemplo é um entre outros, pois "podem ser várias coisas, a insulina ou outro fármaco". E, normalmente, "são os próprios ou as famílias que nos pedem para aliviar a dor e o sofrimento em que estão".

Se Ordem dos Médicos já condenou as declarações da bastonária dos enfermeiros, Ana Rita Cavaco lamenta que os clínicos não tenham saído em sua defesa. "Não vi ninguém aflito", reage, quando disse "que há 52 doentes para cada dois enfermeiros, o que põe em causa as suas vidas".