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Quase metade dos médicos e enfermeiros portugueses estão exaustos

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Segundo um estudo publicado na última edição da revista ciêntifica “Acta Médica”, 47,8% dos médicos e enfermeiros portugueses inquiridos apresentavam sintomas de burnout

Exaustos e deprimidos: de acordo com um estudo publicado na última edição da revista científica “Acta Médica”, 47,8% dos médicos e enfermeiros portugueses inquiridos apresentavam sintomas de burnout - síndroma que se traduz como o processo de "queimar até à exaustão" – e 21,6% exibiam sintomas moderados.

É relativamente comum ouvir queixas sobre a forma cínica e despersonalizada com que alguns médicos tratam os seus pacientes. Mas, e se eles também estão doentes? Os sintomas do burnout são conhecidos, mas muitas vezes confundidos com cansaço acumalado ou personalidades mais narcisistas: cinismo, falta de empatia, despersonalização das consultas, exaustão física e emocional. Segundo este estudo, muitos vivem na fronteira com o colapso físico.

“A metáfora que se utiliza é a de que a pessoa fica arrasada, quase carbonizada, em cinzas, já não se consegue levantar”, explica João Marôco, coordenador do estudo do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (IAVE), ao jornal "Público" desta segunda-feira.

Ao todo, foram inquiridos 1262 enfermeiros e 466 médicos, entre 2011 e 2013. Ainda assim, João Marôco explica ao "Público" que os números reais ainda podem ser maiores, porque só respondeu ao questionário quem estava motivado para isso. Ou seja, não estamos a falar de uma amostra aleatória.

Ainda dentro do mesmo estudo, existe outro dado a ter em conta: os enfermeiros apresentam uma percentagem de burnout superior à dos médicos: 49,9% para 43,6%. Mas já em níveis moderados, na classe médica a percentagem é de 24%, enquanto na de enfermagem é de 20,8%.