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Sociedade

Ruídos afetam o sono de 12% dos residentes em Portugal

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Nuno Fox

Doze em cada 100 portugueses estão expostos a níveis de ruído que provocam perturbações no sono. A Agência Portuguesa do Ambiente alerta ainda para incumprimentos de cidades e infraestruturas na elaboração e implementação de planos de ação nas zonas onde os níveis sonoros ultrapassam os permitidos por lei

“12% da população residente em Portugal Continental está exposta a níveis sonoros que induzem perturbações no sono.” Esta é uma das conclusões que se pode retirar dos dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), divulgados este domingo pela agência Lusa. Para além disso, “17% da população residente em Portugal está exposta a níveis associados de incomodidade moderada.”

Das seis cidades portuguesas que deveriam apresentar mapas estratégicos de ruído (MER), de acordo com as normas europeias e legislação nacional (no Regulamento Geral do Ruído, baseado em recomendações da Organização Mundial de Saúde), apenas Lisboa e Oeiras o fizeram. Amadora, Odivelas, Porto e Matosinhos ainda não o fizeram, mas estarão, segundo a APA, “na fase final de realização”. Quando são identificadas zonas habitacionais com níveis de ruído superiores aos permitidos, devem ser apresentados planos de ação - mas até agora apenas Lisboa tem um plano finalizado e aprovado pela Assembleia Municipal.

Para além das cidades, também as grandes infraestruturas de transportes (aéreas, ferroviárias e rodoviárias) devem apresentar estes MER, mas apenas metade os entregou.

Foram estas questões que motivaram as queixas da Zero à Comissão Europeia. A associação ambientalista enviou ao comissário do Ambiente, Assuntos Marítimos e Pescas, Karmenu Vella, um apelo de “atuação urgente” nesta questão: incumprimento das cidades e infraestruturas na realização de mapas estratégicos e implementação de planos de ação. “Há que colocar esta questão do ruído como uma prioridade que tem, aliás, interligação com outras políticas ambientais e desenvolvimento sustentável”, defendeu o presidente da associação Francisco Ferreira, em entrevista à Lusa.

Dados da Agência Europeia do Ambiente (AEA) identificavam cerca de 20 milhões de europeus afetados pelo ruído ambiental em 2015 (transportes incluídos), mas um em cada quatro estariam expostos ao ruído do tráfego automóvel acima dos máximos estipulados.

O ruído elevado pode ter várias consequências para a saúde das pessoas, nas quais se incluem hipertensão e doenças cardiovasculares. Por ano, na Europa, existem cerca de 10 mil mortes prematuras e 423 mil hospitalizações, segundo a AEA.