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Internet: ABC do comportamento parental face aos filhos

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JONATHAN NACKSTRAND

Porque as gerações são diferentes, há códigos tecnológicos que os pais desconhecem sobre o que devem ou não fazer relativamente aos filhos quando o assunto é internet, Facebook, Twitter, Instagram.... Aqui fica um manual de conduta do que é apropriado nas plataformas e redes sociais da descendência

1. A "conversa"

Quando o assunto é "novas tecnologias", e nomeadamente, o acesso à internet (com e-mails, Facebook e Twitter incluídos), a maioria dos pais preocupa-se em ter "uma conversa" com os filhos. Aqui, geralmente alertam-nos para não aceitarem pedidos de amizade de desconhecidos, nem falarem com estranhos em chats, para não escreverem "posts", no caso do Facebook, de que possam arrepender-se no futuro, até porque a internet deixa sempre "rasto". Mas é importante também ter a coragem de falar sobre a inundação de pornografia que existe online, e que pode chocar o seu filho/a, além de lhe transmitir ideias erradas sobre a sexualidade, ou de temas como os perfis falsos, de quem se esconde atrás de uma identidade fictícia, e o "bullying cibernético", em que outros meninos podem tentar envergonhar ou maltratar outros na internet. As noções de ética na era do 'online' são muito importantes. "Pais e educadores devem conversar habitualmente com os mais novos sobre as suas vidas virtuais", garante Paulo Gomes, psicólogo e investigador na equipa da Aventura Social. "Dizer aos jovens para saírem das redes sociais ou proibi-los de usar o telemóvel não resulta. Estas ferramentas são parte fundamental na vida deles. Em vez disso, esteja atento. Se seu filho demonstrar falta de atenção e concentração, se lhe parecer desmotivado ou mude de comportamento de repente, poderá ser um sinal de que algo não está bem. Se ficar triste ou assustado ao receber algum e-mail ou SMS; se não quer atender chamadas e começa a evitar o computador, se parecer ansioso ou em pânico, estes indicadores poderão ser um alerta de que algo se passa."

2. Seja coerente

Os mais novos aprendem pelo exemplo, já sabemos. Por isso, se lhes proibimos o uso de telemóveis à mesa, durante as refeições, não podemos nós pais fazer uso deste a torto e a direito, para ver emails de trabalho ou perceber que tempo vai estar amanhã. Coerência é importante.

3. Gabar-se 'online'

As redes sociais, com o Facebook à cabeça, podem servir para embelezar a nossa vida – ou seja, mostrarmos e dizermos apenas o que queremos. Não se gabe de ter "uma família maravilhosa, filhas exemplares, excelentes alunas e pianistas ou violonistas aplicadas". Além de soar a gabarolice, é embaraçoso para os seus filhos. PS: a mesma máxima aplica-se a notas de exames.

4. Não perceber a lógica das redes sociais - Facebook e Twitter

Vamos lá explicar algumas regras de ouro de algumas redes sociais. Facebook: o mural do seu filho é público. O que lá se escreve é visto por todos os amigos dele, e não só por ele. Dito isto, não é uma forma de comunicar com o seu filho. Se quer saber se ele está mais bem-disposto do que quando o viu pela última vez, mande-lhe uma mensagem para o telemóvel, não para o seu mural de Facebook. Outra recomendação do que não deve fazer: postar fotos da vossa viagem familiar no verão no mural do seu filho adolescente. Isso envergonha-o, além de ter de lidar com o facto de os amigos verem as fotos e comentarem, com menor ou maior crueldade. Outra coisa a não fazer é "likes" em fotografias de amigos dos seus filhos. Isso dá-lhe um ar de quem não tem nada que fazer... "Por que é que a tua mãe anda a ver as minhas fotografias?", será a pergunta que os amigos do seu filho lhe farão no dia seguinte na escola.

O psicólogo Paulo Gomes explica que "os perfis e as conversas no Facebook funcionam um pouco como diários pessoais. A leitura indevida por parte de outros, nomeadamente de adultos, numa tentativa pouco hábil de controlar os jovens, deve ser devidamente ponderada. Estes têm direito à privacidade, e ao aperceberem-se de que a mesma está a ser invadida, poderão deixar de partilhar informação consigo, virando-se o feitiço contra o feiticeiro".

Quanto ao Twitter, estas são as premissas de base: a hashtag, aquela sinalefa que aparece associada a frases curtas ou expressões (#), funciona como uma espécie de categoria, que explica o tema da foto ou discussão em causa. Por isso, não escreva banalidades como "#de férias com a minha #família", ou "#a beber # Coca-Cola Zero", ou "#o jantar de hoje cá em casa foi assim". Isso só cria embaraço ao seu filho/a.

5. Não perceber como funciona o Whatsapp ou o Instagram

O Whatsapp é um sistema gratuito de troca de mensagens, fotografias e vídeos que permite longas conversas entre amigos (ou conhecidos). Vem acompanhado por uma linha de "Status", em que se pode escrever alguma coisa, substituindo a mensagem que aparece por defeito, "Hey There, I'm using Whatsapp" (Olá, estou a usar Whatsapp). Este não é o sítio para citações cultas ou brincadeiras bem-dispostas - até porque todos os utilizadores a conseguem ler. Que não lhe passe pela cabeça escrever algo como "Mãe moderna"...

Quanto ao Instagram, uma rede social de troca de imagens e vídeos, também não é o local para grandes pensamentos ou tiradas filosóficas. As legendas das fotos que decidir publicar devem ser pouco rebuscadas, pois é fácil pisar o risco que torna algo piroso ou pretensioso. "Keep it simple".

6. Espiar os seus filhos

Por muito curioso/a que seja, resista à tentação de espreitar por cima do ombro do seu filho/a tentar perceber o que ele está a ver no Facebook ou a escrever no Whatsapp. Ele/a vai sentir isso como uma violação da privacidade dele/a. Se não conseguir mesmo controlar o seu ímpeto, pergunte - terá melhores resultados.

7. Perguntar, de forma irritada, "O que fizeram o dia todo?"

Para quem passou a adolescência a jogar à bola na rua, a andar de bicicleta ou a folhear revistas para adolescentes com as amigas, pode ser difícil perceber que os seus filhos passem um dia inteiro pregados à cadeira, em frente ao computador - e normalmente, ligados à internet, ao Facebook, ao Twitter, ao Instagram e a todas as redes sociais que conseguirem. Mas por favor, resista à tentação de desvalorizar, e não berre algo do género "mas o que raio estiveram vocês a fazer a tarde toda?", ao chegar a casa. Lembre-se que esta é a forma que hoje, a maioria dos miúdos tem para se manter em contacto com os amigos – como nós, quando passávamos horas a falar ao telefone com a melhor amiga (com quem tínhamos passado o dia inteiro).

No entanto, tenha em conta o seguinte: "Para o desenvolvimento saudável das crianças e dos adolescentes, o Comité de Educação da Academia Americana de Pediatria recomenda que não seja ultrapassada a média de 2 horas por dia de tempo de ecrã". Talvez com este argumento consiga colher algum tipo de fruto junto da sua prole.