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De Barcelona, com algumas novidades no bolso

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NOVIDADES. Barcelona transformou-se, esta semana, na meca das novas tecnologias

reuters

Mais de 100 mil pessoas juntaram-se em Barcelona para conhecer os telemóveis, as apps, os portáteis ou os óculos de realidade virtual que vão chegar ao mercado nos próximos meses

Quando começou, o Mobile World Congress (MWC) era “apenas” um evento que pretendia dar a conhecer as empresas que operavam no segmento das redes móveis. Acontece que nos últimos 10 anos de estada quase todos os dispositivos do dia a dia passaram a ligar-se às redes móveis. Resultado: a importância do MWC não parou de crescer de ano para ano – a ponto de conseguir desviar grande parte dos lançamentos que, na década passada, costumavam ser feitos na Cebit, de Hanover.

Hoje, tirando a Apple, que nunca gostou de se misturar com a concorrência, nenhuma das grandes marcas da informática, das telecomunicações ou da Internet se dá ao luxo de faltar à feira que a GSM Association monta anualmente em Barcelona. A capital catalã, destino turístico de excelência, fica ainda mais concorrida com a chegada de mais de 100 mil forasteiros, que repartem o tempo entre o formigueiro que percorre os 2199 stands instalados no Palau de Congressos e os eventos paralelos que algumas empresas costumam criar, a fim de tirar partido do afluxo de visitas gerado pelo evento.

Entre domingo e quinta-feira, o futuro dá um ar da sua graça. As novidades alegadamente insuperáveis arregalam os olhos dos mais inexperientes ou propensos à compra e tentam chamar a atenção dos entendidos que têm como missão filtrar as “verdadeiras” tendências entre tantas solicitações e que sabem que as novidades só são imbatíveis até surgirem mais novidades… no próximo ano. A lógica não é muito diferente dos desfiles de moda em Paris e Milão – é possível haver surpresas, consagrações, ou desilusões, mas, no final, há uma grande probabilidade de a próxima estação ser determinada pelas grandes marcas.

albert gea/reuters

E a avaliar pelas grandes marcas não se vislumbra propriamente um corte com o passado ou uma novidade revolucionária. A realidade virtual e os respetivos óculos imersivos ganharam destaque – e ninguém duvida de que são realmente um “novo mundo”, mas ainda terão de provar que são capazes de convencer os consumidores das vantagens em substituir, por alguns momentos do dia, a realidade por imagens virtuais que preenchem todo o campo de visão.

À realidade virtual, juntam-se as novidades que confirmam uma evolução na continuidade no que toca aos telemóveis: as câmaras que garantem Full HD; o incremento na capacidade de armazenamento; os ecrãs de cinco polegadas; a memória RAM (cada vez mais importante em dispositivos que estão sempre a fazer alguma coisa) que já tem por referência os 4 GB; e ainda os terminais móveis modulares que permitem que o consumidor defina quais os componentes que podem ser adicionados.

Pelo meio, houve ainda tempo e espaço para dois regressos: a HP, a viver uma encruzilhada estratégica, anunciou o lançamento de um telemóvel que corre Windows; e a Nokia, a última grande marca de gadgets europeia parece já estar refeita da venda da unidade de telemóveis à Microsoft, e prevê para breve o lançamento de um telemóvel, com um modelo de produção decalcado da Apple – a tal marca que já teve o condão de condicionar o MWC sem aparecer, mas que desta vez parece estranhamente quieta e silenciosa.

Mas o MWC não se limita aos retransmissores, antenas, telemóveis e gadgets – até porque para a larga maioria da humanidade, o que importa não será tanto o hardware, mas sim o que se faz com esse hardware. E por isso o MWC tem nas centenas de softwarehouses que ambicionam tornar-se as legítimas sucessoras de Whatsapp, Facebook ou Angry Birds uma das principais forças motrizes. E é aí que Portugal pode ter o seu quinhão de fama.

Um exemplo: a Aptoide, uma startup portuguesa que desenvolveu uma plataforma que permite criar lojas de apps, foi ao MWC reivindicar o estatuto de maior concorrente da Play, da Google, e lançar uma solução mais leve para países onde o acesso à Net é mais lento. Os números estão longe de poderem ser comparados aos da gigante de Mountain View no que toca à venda de apps para dispositivos para Android, mas fazem toda a diferença à escala nacional: hoje, a Aptoide tem 100 milhões de utilizadores ativos, distribui 500 mil apps, e chegou aos dois mil milhões de downloads. Um pequeno passo para o MWC; um passo enorme para qualquer softwarehouse portuguesa.

A realidade virtual da LG

A LG aproveitou o MWC para dar a conhecer os óculos de realidade virtual 360 VR que podem ser conectados a um telemóvel por USB. Pesam 118 gramas, permitem resoluções de 639 pontos por píxel e como o nome indica são compatíveis com imagens captadas em 360 graus. Os 360 VR foram apresentados como um acessório do novo G5, um telemóvel modular que permite a conexão de componentes que até pode ser de outras marcas e que podem ser escolhidos pelo consumidor. Outras características do G5: ecrã de 5,3 polegadas, processador, Qualcomm Snapdragon 820, câmara traseira de 16 MP e frontal de 8MP; 4GB de RAM; Android 6.0.

Os novos Galaxy da Samsung

A Samsung deu a conhecer dois terminais que chegam a Portugal no dia 11 de março: o Galaxy S7 e o S7 Edge. O primeiro modelo tem um ecrã de cinco polegadas; o segundo chega às 5,5 polegadas, devido ao rebordo lateral. Ainda no ecrã, destaque para o facto de estar sempre ligado, exceto quando o utilizador vira o telemóvel ao contrário (exemplo: virar o ecrã para o tampo da mesa). Além da facilidade de acesso a atalhos e aplicações, os dois telemóveis distinguem-se pela resistência à água – desde que o mergulho não supere os 30 minutos. A Samsung diz que o processador usado no S7 é 30% mais rápido que os antecessores (o processador gráfico tem uma melhoria de 70%). A Samsung lembra que é possível usar a API Vulkan, que permite criar jogos com uma qualidade comparável à de um PC. Nas câmaras, a Samsung insistiu na comparação com a câmara do iPhone – e a comparação não surgiu por acaso. iPhone e Galaxy protagonizam uma rivalidade sem quartel.

Sony vezes três

A Sony chegou ao MWC com com três novos telemóveis: Xperia X, Xperia X Performance, e Xperia Xa. Todos operam com Android 6.0 e têm uma tecnologia que promete melhorar o desempenho da bateria, mas cada um deles tem por um segmento diferente por destinatário. O Xperia X Performance é um topo de gama, com processador Snapdragon 820, ecrã Full HD de cinco polegadas, 3 GB de RAM e 32 GB de armazenamento de dados. Dispõe de câmaras 13 MP (à frente) e 23 MP (atrás). O Xperia X distingue-se do antecessor devido ao processador hexacore Snapdragon 650, da Qualcomm. O Xperia Xa foi desenhado para chegar a um segmento menos exigente e menos endinheirado. Tem um ecrã de cinco polegadas, com resolução de 1280 por 720 pixeis, processador MediaTek MT6755, e 2 GB de RAM. Tem uma câmara frontal de 8 MP e uma câmara traseira de 13 MP.

A febre da Wiko

A Wiko deu a conhecer os novos telemóveis das gamas U e Y, mas todas as atenções acabaram por se centrar no Fever Special Edition, um smartphone com acabamentos metálicos, de madeira ou de tecido, disponível em várias cores. O novo Fever tem Android 6.0, ligações 4G, dual-SIM, um processador Octa-core, 32 GB de memória interna e 3 GB de RAM, com uma bateria de 3000 mAh. O ecrã mede 5,2 polegadas, com resolução Full HD e tecnologia IPS. E tem ainda uma câmara traseira de 13 MP e outra frontal de 5 MP com flash. Na gama U destaque para a possibilidade de identificar o utilizador com os cinco dedos da mão. Num segmento mais baixo, a gama Y passou a incluir os modelos Lenny e Tommy.

Na Xiaomi, é chegada a hora de Mi 5

A Xiaomi, a marca chinesa que tem vindo a conquistar as preferências de quem aprecia topos de gama a preços inferiores, apostou quase todas fichas no Mi 5. Trata-se de um telemóvel topo de gama, que está equipado com leitor de impressões digitais, ecrã de 5,15 polegadas com vidro cerâmico e Full HD, processador Snapdragon 820, 4 GB de memória RAM, 128 GB de armazenamento de alta velocidade, bateria de 3000 mAh, câmara de 16 megapíxeis e compatibilidade com 4G+. Dizem os entendidos que o Mi 5 não fica a dever nada à aos topos de gama da concorrência – só o mercado dirá se a Xiaomi já tem poderia para fazer frente a marcas mais consagradas.

Huawei: um portátil que é tablet

Durante meses, a imprensa especializada garantia que a Huawei estava apostada em lançar um telemóvel P9, mas no MWC a marca chinesa acabou por dar relevo a um portátil que também é convertível em tablet. MateBook é o nome da nova máquina. As semelhanças com o portátil/tablet Surface, da Microsoft, são notórias, mas o dispositivo da Huawei distingue-se por tanto poder operar com Windows 10 como com Android. A conversão de portátil em tablet pode ser feita tirando ou colocando o teclado amovível. O MateBook dispõe ainda de um estilete para interação com o ecrã e de uma bateria para 10 horas de uso. Já se sabe que o preço de referência para a Europa começa nos 799 euros (com processador Core m3, 4 GB de RAM e SSD de 128 GB), mas este valor pode subir em configurações mais avançadas. Desconhece-se quando chega a Portugal.

HP: um regresso imprevisível

E quando menos se esperava, a HP regressou aos telemóveis – e fê-lo com um smartphone que corre Windows Phone (um sistema operativo que se mantém muito longe das quotas de mercado do Android e do iOS). O novo Elite X3 pretende funcionar como trunfo da marca americana no segmento profissional, atuando como um potencial substituto dos computador portátil, ou mesmo do computador de secretária. Para suportar essa substituição, a HP conta disponibilizar uma “doca” que liga o telemóvel a um ecrã de maiores dimensões e a um teclado de secretária ou, em alternativa, um “mobile extender” que mais não é que a carcaça de um portátil, onde o Elite X3 pode ser incorporado. A estreia está prevista para o verão em 30 países. Não se conhecem preços e não se sabe se Portugal está incluído na leva de países que estreiam a nova máquina.

O mapa-mundo do Facebook

ALBERT GEA/REUTERS

Um mapa do mundo habitado. Tudo em nome da Internet – e também com possíveis vantagens na prevenção de catástrofes. No Facebook, chegou a hora de a rede social criar uma rede real – e por isso, tem vindo a ser desenvolvido um mapa dos muitos milhões de edifícios habitados ou usados pela humanidade. A futura ferramenta, que recorre a tecnologias de inteligência artificial, tem por principal objetivo descobrir quais os pontos geográficos mais indicados para o sobrevoo de drones que deverão providenciar o acesso à Internet, por via hertziana.

No MWC, além da aparição de Mark Zuckerberg num auditório pejado de pessoas que usavam Oculus Rift (uma marca de realidade virtual que a Facebook comprou com o intento de diversificar negócios), houve mais outras revelações capazes de gerar espanto: o mapeamento do mundo habitado já logrou analisar 14.600 milhões de imagens de 20 países. Hoje, permite descobrir até uma tenda. Não é por acaso que a Internet assume especial relevo para a Facebook: sem Net, as pessoas não usam redes sociais. Nalgumas das comunidades rurais da Escócia e das Filipinas, onde está a decorrer um teste com acessos à Net por 4G, já é possível confirmar se essa regra se confirma.