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O polémico caso Kesha

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© Kevork Djansezian / Reuters

Kesha é uma cantora norte-americana de 28 anos com dois álbuns editados. Desde 2014 que o seu nome só aparece associado ao processo judicial em que se envolveu: Kesha levou o produtor Dr Luke a tribunal sob a acusação de abuso sexual. O Supremo Tribunal dos EUA não o condenou. Esta semana, o produtor falou pela primeira vez, garantindo que nunca se envolveu com a sua cliente

O que Kesha pedia, basicamente, era que a libertassem do contrato que a vincula à Sony Music, e que a obriga a gravar mais seis álbuns com aquela empresa discográfica. Cantora e compositora, surgiu no mundo da música em 2009, tendo tido sucesso comercial quase imediato. A pose provocante, associada aos ritmos do pop, eletropop e 'dance', fizeram de "Tik Tok", o single do álbum de estreia, "Animal", uma das músicas mais vendidas dos últimos anos. Até julho de 2010, Kesha tinha vendido mais de 5 milhões de cópias nos EUA e recebido 5 discos de platina. Em dezembro de 2012, lança o 2º disco, "Warrior", que não vendeu mal – embora tenha tido menos sucesso que o primeiro. Até maio de 2014, a cantora atingira vendas de 35 milhões de discos nos EUA e 59 milhões de discos no mundo inteiro - o que, convenhamos, não é nada mau...

Contudo, a partir de outubro desse ano, tudo mudou no mundo da jovem promessa. Kesha moveu uma ação judicial contra o seu produtor musical, Dr Luke, que acusa de ter abusado dela, psicológica e sexualmente. Este processo paralisou por completo a carreira dela, não tendo voltado a lançar nenhum material novo desde então...

Aos 18 anos, Kesha assinou contrato com a Kemosabe Records, de Dr Luke, comprometendo-se a gravar oito discos. Em janeiro de 2014, depois de dois álbuns lançados, Kesha deu entrada numa clínica de reabilitação para tratar um distúrbio alimentar, queixando-se de que a culpa era do seu produtor, que lhe tecia comentários críticos que lhe teriam abalado a autoestima.

Quando entrou com o processo em tribunal, ela pretendia libertar-se do vínculo contratual que a prendia ao produtor e à editora - ev que a mantém de mãos atadas. Sem material musical novo, Kesha está condenada a desaparecer. Entretanto, escreveu letras de músicas para Britney Spears, Miley Cyrus e Ariana Grande, entre outros. No passado dia 19, o Supremo Tribunal de Nova Iorque indeferiu a ação de Kesha, afirmando que o contrato não poderia ser quebrado, e que Dr Luke já tinha investido 54 milhões de euros na carreira musical dela. A cantora rompeu num pranto em tribunal. Kesha conquistou, no entanto, o direito de trabalhar com outro produtor da Sony.

Nos dias seguintes, Dr Luke falou publicamente sobre o caso pela primeira vez, garantindo: "Não violei Kesha, nem tive sexo com ela". O produtor musical afiança mesmo: "A Kesha e eu fomos amigos durante muitos anos, ela era como uma irmã mais nova" para mim. No Twitter, choveram as mensagens de apoio a Kesha, através do hashtag "#FreeKesha" - em 24 horas, acumulou mais de 2,8 milhões de menções. Uma série de artistas e músicos declararam-lhe o seu apoio, de Lily Allen a Lady Gaga, passando por Lorde ou Taylor Swift, que lhe ofereceu 250 mil dólares, para o que fosse preciso.

Na última edição dos Brit Awards, no passado domingo, Adele mencionou Kesha no seu discurso de agradecimento, ao receber o prémio de Melhor Artista Feminina Britânica. "Gostava de agradecer ao meu manager e à minha editora por valorizarem o facto de eu ser uma mulher e me encorajarem", disse, "e quero aproveitar este momento para mostrar publicamente o meu apoio à Kesha".

"Isto é maior do que eu", escreveu a cantora na sua página de Facebook. Aguardemos o desenlace.