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Marcha Europeia pelos Direitos dos Refugiados: “Ninguém é ilegal”

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Miguel A.Lopes / LUSA

Cerca de três centenas de pessoas participaram este sábado, em Lisboa, na Marcha Europeia pelos Direitos dos Refugiados, iniciativa que se repetiu noutros 27 países e 157 cidades da União Europeia, que visou alertar para esta situação

Os participantes, que se concentraram no Largo Jean Monnet, empunhavam cartazes onde se podia ler “UE - Vergonha”, ou “sangue nas mãos da Europa”, mostravam tarjas com “bem-vindos refugiados” e traziam ao peito fotos de vítimas, sobretudo de crianças, que morreram afogadas ao tentarem chegar à Europa.

Durante a marcha, que seguiu depois pela avenida da Liberdade, rua Augusta e terminou no Terreiro do Paço, os manifestantes entoaram palavras de ordem em inglês como: “abram as fronteiras, abram os corações, abram os olhos” ou “ninguém é ilegal” e “digam alto e claro: refugiados são bem-vindos aqui”.

O presidente da organização não governamental Go Humanitarian, responsável pela marcha em Lisboa, explicou que esta iniciativa teve como objetivo alertar a sociedade civil para um problema que urge resolver. "No fundo é consignar os direitos aos refugiados migrantes que estão a chegar à Europa através da Grécia. Esses direitos não estão a ser consignados porque não têm passagem segura, como são exemplo as fatalidades que já ocorreram no mar Egeu. Não têm o tratamento digno ao longo da rota dos Balcãs que está completamente viciada, e não há razão nenhuma para tal acontecer", frisou Paulo Leão.

Em declarações à agência Lusa, este responsável denunciou que, dos 14 pontos criados pela agência europeia de gestão de fronteiras, apenas um está a funcionar, e deixa uma questão à comunidade internacional. "Sabendo que os refugiados têm uma travessia que é a do mar Egeu, da Turquia para a Grécia, uma travessia simples, de cerca de seis quilómetros, e que tal é absoluta e exclusivamente controlado pelo crime organizado, porque é que a comunidade internacional, a União Europeia, a ONU, não criam uma ponte segura para os refugiados passarem?", interrogou.

Vive-se situação de “bomba-relógio”

De acordo com Paulo Leão, os migrantes pagam atualmente 1.000 euros para fazerem esta travessia. "Eles [refugiados] estão a pagar a mafiosos do crime organizado 1.000 euros por cabeça para virem em botes preparados para 20 pessoas, mas vêm em botes carregados com 40. Cada bote rende 40.000 euros aos mafiosos para atravessar seis quilómetros", relata o ativista, que deixou ainda um aviso para a situação de "bomba relógio" que se está a viver na Macedónia, país onde "não é prestado auxílio" e já só autorizam a passagem a migrantes Sírios.

Apesar da chuva, Maria Barradas fez questão de marcar presença na marcha. "Os refugiados estão a sentir imensas dificuldades. Há mulheres, crianças, velhos e bebés. A Europa está a fechar as fronteiras e a dificultar cada vez mais a vinda das pessoas que precisam de pedir asilo na Europa porque os seus países estão a ser bombardeados, por armas que são vendidas pela Europa, e isto é uma vergonha", criticou, em declarações à Lusa. Com a sua participação, esta economista pretendeu "dar voz a todas as pessoas que se encontram "em condições desumanas em campos de refugiados à espera de que a Europa lhes abra as portas".

Ivo Duarte, informático, considerou que a Europa atravessa uma crise de valores. "O que está a acontecer, pessoas a atravessar o mediterrâneo em barcos e a correr risco de vida é vergonhoso. É vergonhoso a Europa deixar isto acontecer e Portugal também, no sentido em que pode contribuir", defendeu.

A marcha terminou com a largada de alguns barcos em papel no rio Tejo, em homenagem aos refugiados que morreram a tentar chegar à Europa, a que se seguiu um minuto de silêncio.