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Concentração a favor dos refugiados com pouca adesão no Funchal

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Foto D.R.

A participação foi fraca, mas a causa dos refugiados conseguiu juntar ativistas austríacos, Governo Regional e o Bloco de Esquerda

Marta Caires

Jornalista

A causa dos direitos dos refugiados juntou perto de uma dúzia de pessoas em frente à estátua de João Gonçalves Zarco no centro do Funchal. A mobilização foi fraca, mas teve a particularidade de colocar lado a lado o Governo Regional, o Bloco de Esquerda e dois ativistas austríacos, que estão de férias na Madeira.

"Estamos muito envergonhados com o que o nosso governo está a fazer". Gudrun Lettmayer, investigadora em energias renováveis, austríaca de Graz, fez questão de participar na concentração e de assinar o pedido da Amnistia Internacional portuguesa a favor dos refugiados. A turista explicou que é voluntária no apoio aos refugiados, que esteve a trabalhar para a ajudar as pessoas tanto na Áustria, como na fronteira com a Eslovénia.

Um trabalho que, neste momento, está a ser dificultado pelas autoridades que, segundo garante, "não deixam os voluntários ter qualquer contacto com os refugiados". A situação agravou-se ainda mais na última semana depois de uma conferência que teve lugar na Áustria e reuniu os países dos Balcãs. Estes estados decidiram concertar políticas de tratamento aos refugiados.

Foto DR

Segundo Gudrun Lettmayer, esta é uma mudança muito grande em relação à atitude do governo e da opinião pública no Verão passado. "As pessoas ficaram com medo, somos só oito milhões e decidiram que o barco está cheio". A turista também elogiou a posição de António Costa, que se disponibilizou a receber refugiados da Áustria. "Um pedido que o nosso governo recusou. Estamos muito envergonhados".

A causa não mobilizou no Funchal depois de, em Setembro, o assunto ter levado a uma polémica. Miguel Albuquerque insurgiu-se contra declarações de racismo e xenofobia que agitaram as redes sociais. O Governo Regional da Madeira está pelo acolhimento de refugiados e já afirmou essa vontade publicamente. Na concentração deste sábado, o executivo madeirense fez-se representar pelo diretor do Centro das Comunidades Madeirenses, Sancho Gomes, que alinhou ao lado do líder do Bloco de Esquerda, Roberto Almada.

O Funchal foi, segundo Marta Silva, uma das organizadoras locais da concentração Safe Passage, uma das oito cidades portuguesas a juntar-se ao apoio aos refugiados. A primeira manifestação no Funchal a favor dos refugiados aconteceu em Setembro passado e reuniu perto de uma centena de pessoas.