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Bastonária da Ordem dos Enfermeiros admite que a eutanásia já se pratica no SNS

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EUTANÁSIA. A morte assistida é a última das liberdades de um cidadão, que é a decisão de como morrer

JOSÉ CARLOS CARVALHO

Ana Rita Cavaco, em entrevista à Renascença, garantiu que assistiu a situações em que os médicos dos hospitais públicos sugeriram administrar insulina a pacientes para “provocar um coma insulínico” e consequentemente a morte

“Vivi situações pessoalmente, não preciso de ir buscar outros exemplos”, assegurou Ana Rita Cavaco, bastonária da Ordem dos Enfermeiros, sobre a prática da morte assistida no Serviço Nacional de Saúde. Em entrevista à Renascença, no programa “Em Nome da Lei”, disse ainda que “mais vale admitirmos que há coisas que não estão legisladas, mas que são feitas”.

"Vi casos em que médicos sugeriram administrar insulina àqueles doentes, para lhes provocar um coma insulínico. Não estou a chocar ninguém, porque quem trabalha no SNS sabe que estas coisas acontecem por debaixo do pano, por isso vamos falar abertamente”, referiu Ana Rita Cavaco.

“Mas não sou só eu que digo isso. Há outras figuras públicas que já o admitiram, e mais vale admitirmos que há coisas que não estão legisladas, mas que são feitas”, acrescentou.

Apesar da eutanásia ser crime, Ana Rita Cavaco – que assinou a petição Direito a Morrer com Dignidade – considerou que é necessário fazer a discussão sobre o tema, uma vez que existem doentes nos cuidados paliativos a quem não é possível aliviar a dor. “Há alguns casos em por mais cuidados, técnicos e fármacos que tenhamos, não podemos intervir. Se há esses casos, porque não fazer esta discussão”.

(notícia corrigida às 14.19 de 29 de fevereiro)