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Quatro italianos 'molto' especiais

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Mario Joao

A comida italiana é mais do que pizzas com base de tomate e esparguete à carbonara. Deixamos-lhes cinco sugestões, em Lisboa, para provar receitas diferentes, algumas ao nível da Michelin

Montra recheada de massa fresca

Os vários tipos de massa, expostos em ordem crescente, fazem perceber que ali não se vende 'só' pasta cozinhada. O ingrediente central deste espaço pode ser adquirido para ser cozinhado em casa, e quem chegar cedo, por volta das 11h da manhã, ainda encontra Giuseppe Godono, o chefe, envolto em farinha a preparar o tagliatelle, os ravioli ou o maccheroni, por exemplo. É que a sala de restaurante está separada da cozinha por um vidro gigante, feito assim para mostrar aos portugueses como se faz a verdadeira pasta italiana. “Vivi em Lisboa quando trabalhava numa multinacional e fiquei admirada ao perceber que os portugueses não estavam habituados a comer massa à italiana, nem sequer sabiam bem como é. Ainda há aquele mito de que engorda”, diz Stefania Raiola, a dona. Regressada ao norte de Itália, onde viveu depois de abandonar a sua Nápoles natal, Stefania ficou sempre com vontade de regressar. A situação adensou-se quando conheceu Giuseppe, e os dois perceberam que estava na altura de começarem juntos uma nova etapa. Abandonaram tudo e instalaram-se em Lisboa.
“Queria ficar num sítio central, mas com montra para as pessoas poderem passar e ver a massa”, diz Stefania, que também quer divulgar os vinhos italianos na capital.

“Estamos a importar alguns, apesar de sabermos que o vosso também é muito bom. Quem não estiver interessado em levar a massa para casa pode sentar-se e provar o tagliolini al pesto siciliano (€10,50) ou o pesto cetarese e ricotta (€10,50).

INFORMAÇÃO ÚTIL
LA PASTA FRESCA Avenida 5 de Outubro, 186 A, Lisboa. Tel. 217 960 997.
Segunda a sábado das 10h às 23h30

Se houvesse uma pizza Michelin...

A decisão de expandir o conceito de pizza napolitana de Alvalade para outra zona da capital foi pensada durante meses. Em cima da mesa estavam várias hipóteses. O Chiado saiu vencedor. Mas tinha de ser com um conceito diferente daquele que a marca abriu, em 2013, em Alvalade. O segredo da receita das pizzas napolitanas e a qualificação da Associazione Verace Pizza Napoletana (o equivalente às estrelas Michelin) mantêm-se. Porém, o espaço está diferente, adaptado ao bairro. Feita a pensar nos turistas e no ambiente cosmopolita do Chiado, a nova Mercantina recuperou alguns dos pratos de maior sucesso da casa de Alvalade que, entretanto, tinham sido retirados da ementa, como a focaccia de alecrim. O destaque desta carta vai para a Spinacina (€12,50), feita de tomate, mozzarella, salsicha fresca, cogumelos, espinafres e parmesão; a Sfiziosa (€12,50), de tomate, mozzarella flor de leite, pecorino picante, salsicha fresca, ovo e manjericão; o risotto de farinheira (€12,80), com croquete de ovo de codorniz, perfumado com manjerona e limão; a lasanha de carne à bolonhesa com bechamel de estragão (€10,95) e os ravioli de ricotta, espinafres e nozes, molho de tomate e manjericão (€11,70). À frente da cozinha, que continua a ter o menu assinado pelo italiano Giorgio Damasio, está o criativo Diogo Coimbra, que chega à gastronomia depois de ter passado pelo Canal Q. Se tudo continuar a correr bem, o próximo passo da Mercantina poderá ser o estrangeiro.

INFORMAÇÃO ÚTIL
MERCANTINA Rua da Misericórdia, 114, Lisboa. Tel. 231 070 013. Todos os dias das 12h às 15h30 e das 19h às 23h30; sexta e sábado até às 24h

A piza encontra o hambúrguer

O ambiente é inspirado no período pós-guerra, anos 50, com as vespas e o material de construção usados na decoração. Na carta há uma variedade de pizas, hambúrgueres e saladas, mas a novidade está na pizzeta burguesa (€9,90), um suculento hambúrguer envolvido em massa de piza. A ideia veio de Bernardo Daupiás Ales, o dono do espaço, que não é chefe nem aspira a sê-lo. “Achei que o salame a envolver a carne lhe ia dar o tempero necessário. Não é incrível que seja uma pessoa que não sabe cozinhar a ter esta ideia?”, conta. Mas há mais. A piza genovese (€9,50), a rústica (€8,95), o hambúrguer godfather (€8,30), ou a salada popolo (€11,50) são boas escolhas.

INFORMAÇÃO ÚTIL
POPOLO Avenida 24 de Julho, 50-50 F, Lisboa.
Tel. 213 901 641. Todos os dias das 12h30 à 1h

Uma massa que vale ouro

Há um nome de respeito na cozinha italiana em Lisboa: Tanka Sapkota. O chefe nepalês, há
quase 20 anos em Portugal, fez do restaurante Come Prima um ponto de referência na capital. Agora, criou o Forno d'Oro, uma pizzaria com uma vasta carta de cervejas artesanais, como é comum haver em Itália. É a concretização de um projeto que o ocupou durante cerca de cinco anos: fazer a verdadeira pizza italiana. Depois de ter investigado, em Portugal e em Itália, e de ter feito vários testes até chegar à receita perfeita da massa, Tanka Sapkota fez uma ementa onde também inclui ingredientes nacionais. “Temos de mostrar aos turistas aquilo que é nosso e é tão bom”, diz. Todas as pizzas têm uma fofa base de massa, esticada suavemente e na hora à frente dos clientes, e só podem estar por um curto período de tempo dentro do forno revestido a ouro (feito especialmente por uma equipa italiana que se deslocou a Portugal). Há pizzas com sabor a francesinha (€10,95), com requeijão de ovelha e manjericão (€9,95), com sardinha (€9,95) e com ingredientes vindos diretamente de Itália, como a calzone napoletana (€11,25), e a de prosciuto e gorgonzola (€9,95). Há até uma que leva uma folha de ouro, a
burrata e foglia d'oro (€34). A decoração ficou a cargo de Cristina Santos Silva.

INFORMAÇÃO ÚTIL
FORNO D'ORO Rua da Artilharia 1, 16B, Lisboa. Tel. 213 879 944.
Todos os dias das 12h às 23h