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Ordem quer nutricionistas nas escolas

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Nuno Fox

Ordem dos Nutricionistas defende que a boa educação alimentar deve ser orientada desde o 1º ciclo do Ensino Básico, razão porque coloca no topo das reivindicações já enviadas ao Ministério da Saúde a criação da figura do nutricionista escolar

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Num país de gordos a mais e nutricionistas a menos, Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, defende que as escolas públicas precisam urgentemente de ter nas suas cantinas um nutricionista que ensine os alunos a comer com moderação e a privilegiar os alimentos mais saudáveis.

O pedido de criação do nutricionista escolar, pelo menos um por agrupamento, figura no cimo do documento enviado pela Ordem dos Nutricionistas ao Ministério da Saúde, no âmbito da “Proposta de Contributos para Sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde”, iniciativa governamental que reunirá as propostas das diversas ordens.

Embora os estabelecimentos de ensino tenham desde 2013 orientações da Direção-Geral de Educação sobre a lista de alimentos autorizados nas cantinas e bufetes, bem como nas máquinas de venda automáticas, Alexandra Bento afirma que não existe uma monitorização capaz de garantir que as ementas e a lista de produtos comercializados são cumpridas com rigor.

“Mesmo quando as refeições são equilibradas e nas doses certas, não há quem supervisione as crianças, que tendem a comer o que gostam e a deixar de lado o que mais precisam para terem uma alimentação saudável”, refere a líder da Ordem.

Defensora do lema prevenir para remediar, a responsável pela Associação Portuguesa dos Nutricionistas durante mais de uma década sustenta que a presença destes profissionais em contexto escolar é uma questão de saúde pública, tanto na infância como mais tarde em adultos, ao prevenir doenças associadas ao excesso de peso, como a diabetes, hipertensão arterial ou doenças cardiovasculares.

Para Alexandra Bento, a sustentabilidade do SNS começa na prevenção da doença através da intervenção nutricional precoce, “primeiro passo para trazer ganhos na saúde ao reduzir custos de tratamento e internamento”.

Além sensibilizar os alunos para os benefícios de uma boa alimentação através sessões e workshops didáticos à medida dos mais pequenos, ao nutricionista escolar caberia ainda pesar e avaliar as crianças com regularidade, lembrando que uma criança gorda tem mais probabilidade de vir a ser um adulto obeso, com todos problemas de saúde associados ao excesso de peso.

Experiência piloto precisa-se

Embora a prevalência da obesidade infantil tenha vindo a baixar desde 2010, o país ainda mantém dos piores registos a nível europeu. Segundo dados do Childhood Obesity Surveillance Initiative, que supervisiona o excesso de peso na infância em vários países da Europa sob a coordenação científica do Instituto Ricardo Jorge e da DGS, em 2013 a prevalência em Portugal de excesso de peso em crianças dos 6 aos 8 anos foi de 31,6% (35,7% em 2010 e 37,9% em 2008), enquanto a obesidade atingia os 13,9% (14,7% em 2010 e 15,8% em 2008).

A ligeira melhoria de resultado não desmobiliza a bastonária, que considera que o país para passar a “um cenário de boa saúde” precisa de aumentar o número de nutricionistas no SNS, em particular nos centros de saúde, que a par das consultas de pediatria deviam oferecer aos consultas de nutrição.

“Temos pouco mais de uma centena de nutricionistas em exercício nos cuidados de saúde primários, um número que representa apenas um quinto das necessidades da população”, refere a nutricionista, que recorda que o aumento de nutricionistas nos hospitais e centros de saúde foi um dos projetos de recomendação do anterior governo, “mas que nunca saiu da gaveta”.

Há duas semanas, o Ministério da Saúde avançou quer apostar na nutrição, psicologia clínica, oftalmologia e fisioterapia nos centros de saúde, tendo Henrique Botelho, coordenador da reforma dos cuidados de saúde primários, assumido o reforço profissionais nestas quatro especialidades.

A Ordem dos Nutricionistas defende que a integração de nutricionistas nas escolas deve avançar já no próximo ano letivo como experiência-piloto em alguns agrupamentos, seguindo o modelo da colocação dos psicólogos escolares.