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Conferência Episcopal sobre o cartaz do Bloco: “É uma afronta aos crentes”

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Paulo Cunha / LUSA

O padre Manuel Barbosa, porta-voz da Conferência Episcopal, considera o cartaz “Jesus também tinha dois pais” um desrespeito pela liberdade religiosa, classificando a analogia de “ofensiva”

O porta-voz da Conferência Episcopal, Manuel Barbosa, considerou "uma afronta aos crentes" o uso de uma imagem de Jesus Cristo numa campanha do Bloco de Esquerda em defesa da adoção por casais homossexuais.

"Deve haver respeito pela liberdade de expressão. Sabemos que esse respeito deve ser sempre um respeito mútuo. A liberdade implica sempre relação e corresponsabilidade e, este respeito mútuo, não sei se estará presente no anúncio deste cartaz", sublinhou, em declarações dadas esta sexta-feira à agência Lusa.

No entender do porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, o cartaz do BE é "uma analogia sem sentido". "Essa dos pais espirituais é abusiva. Penso que há um certo aproveitamento, num período em que na igreja se está a viver um tempo forte de Quaresma, depois a Páscoa e o Ano da Misericórdia. Não sei se é coincidência ou se é propositado", argumentou.

Manuel Barbosa diz ainda que o cartaz "vale o que vale", realçando que "há coisas mais importantes". "É de lamentar que não se tenha em atenção as convicções de quem segue Jesus Cristo, mesmo que este cartaz já tenha sido feito noutros países. É uma cópia de muito mau gosto", sustentou. O responsável espera que o cartaz "não seja motivo para desviar a atenção em relação aos problemas da vida das pessoas".

O Bloco de Esquerda vai colocar nas ruas um cartaz com a imagem de Jesus Cristo no qual se pode ler "Jesus também tinha dois pais" e que pretende assinalar a data de 10 de fevereiro de 2016, dia em que o parlamento confirmou a lei sobre a adoção por casais homossexuais, vetada no final de janeiro pelo Presidente da República, Cavaco Silva.

A deputada bloquista Sandra Cunha disse ao jornal "Público" que a ideia do cartaz com a imagem de Jesus Cristo não pretende ofender nem a igreja nem a religião, tratando-se apenas de "mostrar às pessoas que sempre existiram famílias diferentes e que essa não é uma realidade nova nem recente. "Os dois pais a que se refere o cartaz são, segundo a deputada, "o pai espiritual e o pai terreno de Jesus Cristo".

A Agência Lusa tentou contactar vários responsáveis do Bloco de Esquerda mas, até ao momento, não foi possível.