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CGTP promete mais luta

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"PSD e CDS-PP já provaram que a salvaguarda dos interesses da alta finança se sobrepõem a quaisquer outros", diz Arménio Carlos

Mário Cruz/Lusa

Programa de ação a aprovar no XIII Congresso da Intersindical, que se realiza esta sexta-feira e sábado em Almada, advoga a intensificação da luta reivindicativa nos próximos anos para tentar resolver os problemas dos trabalhadores e melhorar as suas condições laborais

A CGTP promete intensificar a luta reivindicativa nos próximos anos para tentar resolver os problemas dos trabalhadores e melhorar as suas condições laborais, depois de um mandato marcado por centenas de lutas e três greves gerais.

Esta intenção consta no programa de ação a aprovar no XIII Congresso da Intersindical, que se realiza esta sexta-feira e sábado em Almada, no qual 730 delegados vão discutir o documento programático que define a estratégia sindical para o próximo quadriénio.

Arménio Carlos, que se prepara para o seu segundo e último mandato na liderança da CGTP, tem a convicção de que os próximos quatro anos vão ser um desafio aliciante para os sindicatos, tendo em conta a nova situação política, mas defendeu que os sindicatos não podem ficar à espera que as coisas aconteçam.

Na liderança da CGTP desde janeiro de 2012, Arménio Carlos marcou o início do seu mandato à frente da Central com duas greves gerais nesse ano, durante o governo de direita do PSD/CDS e numa altura em que o país estava sob assistência financeira e fortes medidas de austeridade.

"O próximo mandato vai ser muito importante porque a CGTP vai ter de ser muito incisiva, interventiva e criativa na apresentação de propostas e na negociação de soluções sem abdicar da sua autonomia e independência", disse o secretário-geral da Inter, numa entrevista recente à agência Lusa.

Segundo a Central, o lema deste Congresso - Organização, Unidade e Luta - A Força dos Trabalhadores! Emprego com Direitos, Soberania, Progresso Social - sintetiza os atuais objetivos do movimento sindical unitário e a estratégia futura da Inter.

O documento, que será aprovado no final da reunião magna, está dividido em cinco capítulos, nos quais é feita uma análise detalhada de vários temas que marcam a atualidade política, económica e social e são definidas as prioridades para o próximo mandato.

Para concretizar os seus objetivos, a central sindical defende a necessidade de ser reforçado o papel e a ação dos sindicatos nos locais de trabalho, de forma a alargar a sua influência e dinamizar e intensificar a luta dos trabalhadores em defesa da valorização do trabalho e dos salários.

A reposição do direito de contratação coletiva, a revogação das alterações legislativas que agravaram as leis laborais, a redução do horário de trabalho e a redução da carga fiscal são outras das prioridades apresentadas no programa de ação.

A necessidade de criar emprego de qualidade para assegurar o futuro do país é outro dos temas fortes do documento, que defende a urgência de ser definido um programa de desenvolvimento dirigido à revitalização do tecido produtivo.

A Inter reivindica ainda o fim do Tratado Orçamental e defende a alteração dos objetivos e funcionamento do Banco Central Europeu.

Apesar de estar filiada na Confederação Europeia de Sindicatos (CES), a Inter critica as posições que têm sido assumidas pela estrutura sindical e reafirma, no programa, a sua opção pela não filiação, tal como estava no programa de ação de há quatro anos.

Esta opção tem merecido nos últimos congressos a contestação das correntes minoritárias na Inter, nomeadamente a socialista.