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Procurador suspeito de corrupção fica em prisão preventiva

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Orlando Figueira é suspeito de receber luvas para arquivar processo de Manuel Vicente, vice-presidente de Angola

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

Após dois dias de interrogatório, a juíza de Instrução Criminal do Tribunal de Lisboa, Antónia Andrade, decidiu enviar o procurador Orlando Figueira para a cadeia, onde ficará em prisão preventiva. Este procurador, detido segunda-feira, é suspeito de ter recebido luvas no valor de 200 mil euros para arquivar um processo em que era investigado Manuel Vicente, atual vice-presidente de Angola.

Apesar de poder recorrer desta decisão para o tribunal da Relação, Orlando Figueira arrisca-se a passar, no mínimo, os próximos três meses em prisão preventiva até a medida de coação ser revista.

Em comunicado, a Procuradoria-Geral da República explica que a decisão teve como base “a existência de perigo de fuga, de perigo de perturbação para a aquisição e manutenção da prova”.

Nesta altura, o “inquérito tem três arguidos constituídos - uma pessoa coletiva e duas singulares - não se encontrando entre os mesmos Manuel Vicente”, acrescenta o mesmo comunicado.

Além de Orlando Figueira, o Ministério Público já constituiu arguido Paulo Amaral Blanco, advogado de Manuel Vicente, pelo crime de corrupção. O governante angolano também é suspeito de corrupção, mas ainda não foi constituído arguido.

Em causa estão suspeitas da prática dos crimes de corrupção passiva na forma agravada, corrupção ativa na forma agravada, branqueamento e falsidade informática, refere a PGR.

Em declarações ao Expresso, Paulo Amaral Blanco admite que "na tese da investigação Manuel Vicente é o corruptor" e explicou que nas buscas que fizeram ao seu escritório os investigadores da PJ levaram comprovativos dos rendimentos de Manuel Vicente entre 2007 e 2010. "Estava a ser investigada a compra de um apartamento no Estoril-Sol e eu fiz chegar ao processo esses comprovativos. Quando o processo foi arquivado, pedi-os de volta. Agora, a polícia levou-os."

É a primeira vez que um procurador do DCIAP, o departamento do Ministério Público que investiga os crimes mais complexos, é preso sob suspeita de corrupção. É também a primeira vez que um dirigente angolano é investigado em Portugal por corrupção.

Orlando Figueira foi magistrado durante mais de 20 anos e em 2012 pediu uma licença de longa duração para ir trabalhar para o BCP, cujo maior acionista era a Sonangol.

[Atualizada às 21h46]