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Manuel Vicente vendeu apartamento em Cascais meses depois da compra

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GETTY IMAGES

O apartamento de luxo em Cascais comprado pelo vice-presente de Angola, que esteve na origem da detenção do procurador Orlando Figueira, foi vendido passados quatro meses, por €4 milhões, a Armindo Perpétuo Pires – a mesma pessoa que tinha representado Manuel Vicente na compra

Afinal, conta o jornal "Público" esta quinta-feira, o apartamento do vice-presente de Angola, cujo inquérito esteve na origem da detenção do procurador Orlando Figueira, já não lhe pertence.

O apartamento em questão na Operação Fizz foi vendido em abril de 2012, por quatro milhões de euros, a uma sociedade anónima, cujo presidente do conselho de administração era a mesma pessoa que representou Manuel Vicente na aquisição do imóvel de luxo, situado no 9.º piso do empreendimento Estoril Sol Residence, em Cascais.

Segundo o registo predial a que o "Público" teve acesso, a 23 de maio de 2012, foi Armindo Perpétuo Pires quem assinou a escritura pública como representante do vendedor, o vice-presidente angolano, e do comprador, a Oceangest - Gestão e Empreendimentos Imobiliários.

Como é que isto foi possível? Porque o presidente do conselho de administração da Oceangest é Perpétuo Pires, que garante ser o único dono daquela sociedade e insiste que esta empresa nada tem a ver com Manuel Vicente. São apenas “conhecidos” e diz não frequentar a casa do vice-presidente angolano. Isto, mesmo tendo em conta que Manuel Vicente teve nele a confiança suficiente para lhe passar uma procuração para comprar e vender em seu nome uma casa avaliada em mais de três milhões de euros.

“Comprei o apartamento e o engenheiro Manuel Vicente recebeu o dinheiro nas suas contas”, afirma ao "Público".

Quando o vice-presidente de Angola vendeu o imóvel, já o procurador Orlando Figueira, agora suspeito de corrupção, arquivara o inquérito por suspeitas de branqueamento.