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Autoridades descartam relação entre morte de cães e molécula da Bial

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Medicamento da farmacêutica portuguesa Bial em cujos testes clínicos morreu uma pessoa volta a estar sob os holofotes

Vários cães terão morrido na fase de ensaios pré-clínicos de um medicamento da farmacêutica Bial que está a ser investigado em França depois da morte de um voluntário durante testes no laboratório Biotrial. A notícia foi divulgada pelo jornal francês "Le Figaro".

A Agência Nacional de Segurança Médica (ANSM) francesa veio, contudo, refutar a ligação entre as mortes dos animais e o óbito humano. A autoridade explica mesmo que a morte de dois cães e um macaco durante os testes preliminares da mólecula investigada pela Bial não explicam a morte de um voluntário durante os ensaios clínicos. A explicação é que com animais são usadas normalmente doses muito elevadas do novo medicamento e, por isso, as mortes não são raras. O diretor-adjunto da ANSM sublinha ainda que, na autópsias, não foram encontrados lesões neurológicas nestes animais.

Contactada, a Bial diz ao Expresso estar a colaborar com as autoridades francesas, inclusive com todos os especialistas em farmacologia, toxicologia e médicos do comité de especialistas científicos temporários. Segundo a Bial, dois cães morreram com lesões pulmonares, descartando uma relação direta com o problema verificado com a molécula em teste. Os problemas pulmonares destes animais já se teriam verificado durante os ensaios pré-clínicos, o que terá determinado o abate por razões éticas, ainda antes da sua conclusão, devido à "legislação de experimentação científica não humana".

Os detalhes desta fase inical de testes estarão, contudo, abrangidos pelas regras do segredo industrial, segundo terão afirmado ao "Figaro" representantes da Bial e da autoridade de segurança médica francesa. Atitude já criticada em França e no Reino Unido devido à falta de transparência no processo de investigação. Questionada pelo "Figaro", o diretor-geral da Autoridade Nacional de Segurança Médica em França explicou ao jornal que toda a informação passível de ser tornada pública o será, mas que é preciso respeitar as regras da propriedade industrial, o que limita a divulgação de todos os detalhes deste processo.