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Praça de táxis no aeroporto de Lisboa bloqueada devido a protesto contra a Uber

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Representantes do sector estão neste momento a caminho de S. Bento - exigem ser ouvidos pelo primeiro-ministro

Liliana Coelho

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Jornalista

José Caria

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Fotojornalista

Duzentos taxistas estão esta quarta-feira de tarde em protesto contra a Uber, junto ao aeroporto de Lisboa. A manifestação espontânea surgiu por volta das 14h45 depois de um taxista ter sido multado após solicitar à PSP a identificação de um condutor e de uma viatura da Uber.

“A situação está complicada no aeroporto da Portela. Nenhum taxista está a recolher passageiros. Os nossos colegas prometem não sair do local enquanto não tivermos uma resposta para acabar com a situação de concorrência desleal da Uber”, diz ao Expresso Carlos Ramos, presidente da Federação Portuguesa do Táxi (FPT).

De acordo com o líder da FPT, a ação de protesto nasceu da revolta dos taxistas perante uma situação “ridícula” e “injusta”, que tem sido sentida há muito pelos profissionais. “Depois parece que ainda brincam connosco. Ao que parece, o motorista da Uber mostrou ao nosso colega que pediu a identificação um crachá da PSP. Isso é que ainda é mais grave.”

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Em declarações à SIC Notícias, Diogo Santos - o taxista que foi multado - explicou que a manifestação resulta da solidariedade dos colegas face a uma situação inaceitável. “Eu vi um motorista da Uber a apanhar uns clientes um pouco mais à frente da zona de chegadas e alertei o agente da autoridade. Um dos agentes dirijiu-se ao carro da Uber para o identificar, o outro agente dirigiu-se a mim e disse-me de imediato que me ia autuar em 60 euros por eu ter posto o carro em frente ao carro da Uber, impedindo a saída do outro carro”, disse o taxista.

Diogo Santos lamentou que já tenham sido denunciados mais de 200 carros da Uber e não seja respeitada uma decisão judicial que proibe a atividade da empresa.

Neste momento, os representantes do sector estão a caminho de S. Bento na expectativa de serem ouvidos pelo primeiro-ministro. “As duas associações FPT e a ANTRAL vão reunidas no mesmo carro. Vamos exigir uma resposta ao primeiro-ministro. Não saímos de lá enquanto não formos ouvidos”, garante Carlos Ramos.

Já Florêncio Almeida, presidente da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), diz esperar que o chefe do Governo “não bata com a porta” aos taxistas, mas admite que caso não sejam ouvidos por António Costa é necessário que as associações do sector se unam na luta contra a app que permite solicitar um serviço de transporte.

“Considero que as associações do sector têm de uma vez por todas que se unir na luta contra a Uber. Devemos todos esforçar-nos em conjunto para travar este incumprimento da lei”, defende Florêncio de Almeida.

Questionado sobre futuras ações de luta, o líder da ANTRAL afirma que ainda não foram discutidas, mas que serão naturalmente necessárias. “Neste momento não há nenhuma decisão tomada quanto ao futuro, estamos preocupados em resolver os problemas. Se a resposta for favorável será uma coisa, senão haverá claramente condições para ações alternativas. É preciso respeitar a decisão judicial.”

A 28 de abril, o Tribunal Central de Lisboa aceitou uma providência cautelar interposta contra a Uber, tendo confirmado em junho essa mesma decisão. Mas a Uber alega que essa decisão não diz respeito à empresa, uma vez que oferece um “serviço de tecnologia - e não um serviço de táxis”.