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Bolsa de estudo? Só se for “duas vezes mais pobre” do que em 2010

José Caria

Foram atribuídas menos 4600 bolsas no ano letivo passado, face ao período de 2010/2011. Estudantes defendem o regresso da anterior fórmula de cálculo

Se estudar já pode ser uma dor de cabeça, encontrar apoios sociais para financiar os estudos superiores está a tornar-se cada vez mais difícil. De acordo com um estudo da Federação Académica do Porto (FAP), com base nas mudanças feitas na forma como são contabilizados os rendimentos das famílias, é preciso ser quase duas vezes mais pobre do que em 2010 para receber a bolsa mínima, noticia o jornal "Público" esta quarta-feira.

Até ao ano letivo de 2010/2011, eram considerados no cálculo de acesso à bolsa os rendimentos líquidos do agregado familiar, sendo que ainda existiam formas de abater esse valor com base em despesas de saúde ou gastos com arrendamento e compra de habitação. Mas agora, no atual ano letivo, essas deduções desapareceram e só são tidos em conta os rendimentos brutos.

Com esta mudança, a realidade de avaliação dos serviços de ação social das universidades e politécnicos passou a ser muito diferente. O nível de pobreza exigido para atribuir bolsa a um estudante é hoje “muito mais severo do que era no passado para receber o mesmo apoio”, conclui o estudo da FAP, a que o "Público" teve acesso.

No ano letivo 2014/2015, houve 67.888 estudantes com bolsa de estudo no ensino superior, número representa uma diminuição de 4600 bolsas face ao período 2010/2011.

O estudo, que é apresentado esta quarta-feira, vem dar voz a uma das exigências estudantis mais badaladas nos últimos anos: o regresso à forma de cálculo anterior, a atribuição de bolsas de estudo tendo por base os rendimentos líquidos das famílias.