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Sindika Dokolo: Isabel dos Santos devia ser tratada com menos “preconceito” e mais “objetividade”

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Sindika Dokolo com Rui Moreira, autarca do Porto

RUI DUARTE SILVA

Marido da empresária pensa que a crise em Angola teve um lado positivo “porque revelou ao Governo os problemas estruturais” da economia

Sindika Dokolo, marido de Isabel dos Santos, a filha do Presidente da República de Angola, já era uma figura conhecida em Portugal. Mas a compra da Casa Manoel de Oliveira, no Porto, por 1,6 milhões de euros, que irá utilizar como sede europeia para a sua fundação, catapultou-o.

Numa entrevista publicada pelo “Jornal de Negócios” esta terça-feira, Sindika Dokolo, empresário e colecionador de arte, fala muito pouco de si, ou dos seus projetos, mas muito sobre a sua mulher e o futuro de Angola.

Com a reestruturação da Sonangol em curso, muitos têm questionado o papel ou outras intenções de Isabel dos Santos tem nesse comité. Uma das vozes mais ativas tem sido a do jornalista angolano Rafael Marques, autor do livro de investigação "Diamantes de Sangue", publicado em Portugal pela Tinta da China. "A Isabel nunca vendeu qualquer ativo nem nenhuma empresa", afirma Dokolo quando questionado sobre se existiria a intenção de transferir para ela alguns dos ativos da empresa, face à crise financeira que Angola atravessa. Para justificar esta resposta, dá como exemplo o caso do BPI, onde o “senhor Amorim vendeu”, e o da Unitel. Isabel dos Santos criou e não vendeu, defende.

Relativamente à situação económica de Angola atual e à crise do petróleo, afirma que esta teve um lado muito positivo, porque revelou ao governo angolano “ problemas estruturais da economia”. "É uma sorte para Angola ter um governo que tem experiência na gestão de crises”, justificou.

"Um pouco menos de preconceito e um pouco mais de objetividade"

“Ninguém olha para o nível de confiança que ela [Isabel dos Santos] foi conseguindo criar, ao longo dos anos, na banca”, afirma o colecionador de arte. Para Sindika, o que faz o sucesso da sua esposa “é a capacidade de capitã de indústria dela”. E sugere que se faça um estudo para ver, nos últimos 15 anos, “quantos empregos é que foram criados por Isabel dos Santos".

É por isso que acha que, no mínimo, Isabel dos Santos "devia ser tratada com um pouco menos de preconceito e um pouco mais de objectividade".

Quanto à relação ausente de Isabel dos Santos com os meios de comunicação portugueses, o colecionador de arte afirma que “o mundo dos negócios não é o da política”. “Essa questão de dizer que fazer negócios é ir gerindo a opinião pública não é cultura dela. Eu respeito isso", explica.