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Nem tudo o que se diz sobre o zika é verdade

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O vírus zika foi considerado pela OMS uma emergência de saúde global, no passado dia 1 de fevereiro

CARLOS JASSO / REUTERS

As vacinas são as verdadeiras culpadas pelo aumento de casos de microcefalia? Errado. Os mosquitos geneticamente modificados andam a espalhar o vírus? Ainda mais errado. A Organização Mundial da Saúde tira todas as dúvidas sobre a mais recente emergência de saúde global

Quando no início deste mês a Organização Mundial da Saúde declarou a epidemia do vírus zika uma emergência global, o mundo entrou em estado de alerta – afinal, este aviso foi feito em apenas quatro ocasiões nos 68 anos que a instituição soma. Depois do pânico veio a paranoia e com ela vieram, como acontece frequentemente nestes casos, os mitos sobre o vírus e as suas formas de disseminação.

Apesar de o zika não se manifestar de forma especialmente agressiva nas pessoas infetadas – só 20% dão conta dos sintomas, que não são mais do que uma febre ligeira, conjuntivite e dores nas articulações -, o efeito que pode ter nas mulheres grávidas está a gerar muita preocupação a nível internacional. Tudo porque o zika tem sido ligado ao alarmante aumento de casos de bebés que nascem com microcefalia, ou seja, com um crânio de um tamanho menor do que o esperado, o que lhes pode trazer complicações mentais e motoras de futuro.

Para esclarecer a população e face aos múltiplos rumores que se têm espalhado ao mesmo tempo que o vírus ganha terreno, a Organização Mundial da Saúde publicou esta semana um documento em que desmistifica algumas das alegações que têm vindo a ser feitas sobre o Zika e a sua propagação.

Em primeiro lugar, esclarece-se que, ao contrário do que tem vindo a ser afirmado, não está provado que haja provas da ligação entre "qualquer vacina" que esteja a ser administrada a mulheres grávidas e os casos de bebés com microcefalia. Esta teoria agora contrariada pela OMS defende que as vacinas, e não o vírus, são as culpadas pelo aumento dos bebés que nascem com esta malformação.

Outro fator que parece estar isento de culpas no que toca à disseminação do vírus é a piriprofixena, um inseticida colocado nos contentores de armazenamento de água de muitas das pessoas que não têm acesso a água canalizada. Segundo a OMS, esta é "uma arma importante para a saúde pública", uma vez que estes contentores são o ambiente ideal para a reprodução dos mosquitos.

Há dois mitos que caem de uma vez só: não há provas de que nem os mosquitos geneticamente modificados nem os do sexo masculino que são esterilizados sejam responsáveis pela disseminação do vírus - antes pelo contrário. Estes mosquitos estão, na verdade, a ser modificados para não poderem reproduzir-se, controlando-se assim o aumento da população destes insetos.

Por último, a organização esclarece que os peixes estão a ser usados no combate ao vírus, fazendo parte de uma estratégia ampla que recorre a "métodos biológicos" para acabar com a epidemia. O documento adianta que em El Salvador, por exemplo, estão a ser introduzidos peixes que se alimentam a base de larvas nos contentores de armazenamento de água para controlar a disseminação do zika.

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