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Juíza do processo Bárbara e Carrilho pede escusa

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DECLARAÇÕES. A apresentadora foi criticada pela juíza responsável pelo processo de violência doméstica que a opõe ao ex-marido

Pedro Jorge Melo

Depois da primeira sessão de julgamento, a magistrada foi acusada de parcialidade pela forma como tratou a apresentadora de televisão. Juíza chegou a dizer que censurava Bárbara Guimarães por ter demorado a apresentar queixa e mostrou duvidar das acusações - tratou sempre Manuel Maria Carrilho pelo título académico e a apresentadora por Bárbara

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

A juíza Joana Ferrer, responsável pelo processo de violência doméstica que opõe Bárbara Guimarães a Manuel Maria Carrilho, pediu escusa do processo. Na resposta ao incidente de recusa interposto pelo Ministério Público e pela defesa Bárbara Guimarães, Joana Ferrer refuta as acusações de parcialidade, mas pede para ser afastada do processo.

O Expresso sabe que na resposta enviada ao pedido de escusa solicitado pelo Ministério Público e pela defesa de Bárbara Guimarães, a juíza diz que as suas palavras foram mal interpretadas e que tinha como intuito mostrar à queixosa que devia ter apresentado queixa atempadamente porque senão a justiça fica de mãos atadas. Joana Ferrer diz que lamentavelmente as suas palavras foram mal interpretadas e reitera que as provas no processo são frágeis. A magistrada recusa com veemência qualquer motivo de suspeita sobre a sua parcialidade e argumenta que se falou com Bárbara Guimarães no processo do modo como falou foi porque quis manter um registo mais familiar, relembrando que até tratou a apresentadora por querida.

Depois da primeira sessão de julgamento, a magistrada foi acusada de parcialidade pela forma como tratou a apresentadora de televisão. Joana Ferrer chegou a dizer que censurava Bárbara Guimarães por ter demorado a apresentar queixa e mostrou duvidar das acusações. No pedido de recusa de juiz, o advogado da apresentadora, em mais de 100 páginas, descreveu os gestos que a magistrada usou. Quando disse que a prova valia, Joana Ferrer simbolizou o algarismo 0 com os dedos.

O juiz desembargador que vai analisar o processo não é obrigado a dar escusa só porque a juíza, o Ministério Público e a assistente o pedem. A decisão final fica assim nas mãos do juiz.

As declarações polémicas

O comportamento de Joana Ferrer, e não as acusações que constam do processso, foram o que marcou a primeira sessão de julgamento. "Parece que o professor Carrilho foi um homem, até ao nascimento da Carlota [a segunda filha do casal], e depois passou a ser um monstro. O ser humano não muda assim”, foi uma das frases da juíza que tratou sempre Manuel Maria Carrilho pelo título académico e a apresentadora por Bárbara. Seguiram-se várias críticas da Associação de Mulheres Juristas a Associações de Defesa das Vítimas de Violência Doméstica.

A Associação Feminista Maria Capaz apresentou uma queixa junto do Conselho Superior de Magistratura que pode levar à abertura de um processo disciplinar.

  • Até onde pode ir um juiz?

    “Censuro-a!” Foi assim que a juíza Joana Ferrer se dirigiu a Bárbara Guimarães, alegada vítima de violência doméstica. E pode? O estatuto dos magistrados admite pena disciplinar para o juiz que “causar perturbação no exercício das funções”. O Expresso foi ouvir vários magistrados e responsáveis de associações de apoio a vítimas