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Federação quer árbitro Jorge Ferreira e família vigiados após visita dos Super Dragões

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Árbitro assinalou penálti neste lance em que Jonas salta entre dois defesas do Paços de Ferreira

FERNANDO VELUDO / Lusa

Árbitro de Braga e conselho de arbitragem vão apresentar queixa às autoridades policiais contra líder da claque portista Super Dragões. Fernando Madureira e amigos estiveram esta segunda-feira em Fafe no restaurante do pai do árbitro do último Paços de Ferreira-Benfica, que intimidado chamou a GNR

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Dois dias depois do Paços de Ferreira-Benfica, jogo ganho pela equipa de Jorge Jesus (1-3), o líder dos Super Dragões, Fernando Madureira, e um grupo de amigos entrou de rompante, na noite desta segunda-feira, na Taberna da Esquiça, situada em Fafe e propriedade de Armindo Ferreira, pai do árbitro Jorge Ferreira. Este dirigiu o jogo disputado em Paços de Ferreira, que ficou marcado por um penálti mal assinalado envolvendo o avançado Jonas, que converteu o castigo e permitiu desempatar a partida.

Intimidado pela presença da conhecida claque azul e branca, o pai do árbitro alertou o filho depois de o grupo se ter sentado à mesa a fumar e, alegadamente, questionado “onde está o gatuno?”.

De acordo com o “Jornal de Notícias”, Armindo Ferreira ter-se-á recusado a servir qualquer refeição, sustentando que o estabelecimento estaria a fechar. Após alguns elementos da claque terem consumido bebidas, Madureira, conhecido pela alcunha de “Macaco” no mundo do futebol, acabou por pedir o livro de reclamações. Perante a alegada recusa do dono, o líder dos Super Dragões terá pedido a presença da GNR no local, força, entretanto já alertada por Jorge Ferreira, logo que soube pelo pai da presença do grupo na Taberna da Esquiça.

Depois de ter passado no estabelecimento esta manhã, Armindo Ferreira optou por se ausentar da tasquinha durante a tarde desta terça-feira, para evitar possíveis “situações desagradáveis”. Ao Expresso, José Cunha, amigo do pai do árbitro que ficou a tomar conta do pequeno restaurante, confirmou o incidente vivido na véspera. Após a presença dos militares no estabelecimento na noite desta segunda-feira, José Cunha refere desconhecer se ainda estará algum militar da GNR na vizinhança, de prevenção. “Estou aqui a fazer um favor a um amigo. Não sei se andam por aí, mas também não tenho medo deles”, adiantou por telefone ao Expresso.

De acordo com o Tenente Coronel Vaz Lopes, relações públicas do comando de Braga, tanto o dono da tasquinha como os clientes solicitaram a intervenção da GNR no local por volta das 22 horas, tendo acorrido ao local uma patrulha do posto de Fafe.

Embora por dever de ofício não possa divulgar a identificação autores do pedido, Vaz Lopes confirma que na origem do conflito esteve o pedido do Livro de Reclamações por parte dos clientes e a recusa do mesmo por parte do dono. Esclarecidos os deveres de ambas as partes, a GNR abandonou o estabelecimento o grupo de amigos afetos ao FC Porto ter abandonado o estabelecimento.

Jorge Ferreira, através da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol, informou não estar disponível para falar do caso, justificando o silêncio até ser autorizado a prestar declarações pelo Conselho de Arbitragem da FPF. João Tocha, porta-voz da FPF para a arbitragem, adianta que é o procedimento normal neste tipo de situações, revelando que tanto o árbitro como o organismo liderado por Vítor Pereira irão apresentar queixa às autoridades policiais.

Como já aconteceu em cenários idênticos, a FPF pretende que o árbitro e os familiares sejam acompanhados por agentes de segurança enquanto decorrer o processo de averiguação dos factos.