Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Alcaide de Vigo recusa pazes com Rui Moreira

  • 333

LUCÍLIA MONTEIRO E MIGUEL RIOPA/GETTY

Avel Caballero recusa encontrar-se com o presidente da Câmara do Porto enquanto Rui Moreira não pedir desculpas pelas suas declarações sobre o desvio de voos para a Galiza

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Ricardo Rio, presidente da Câmara de Braga e atual líder do Eixo Atlântico, convidou o alcaide de Vigo e Rui Moreira para um encontro de paz, após as polémicas declarações do presidente da autarquia portuense sobre a operação da futura ligação direta de Vigo para Lisboa, em detrimento dos voos da TAP a partir do Aeroporto Francisco Sá Carneiro.

De acordo com o “Jornal de Notícias” desta terça-feira, o encontro sugerido por Ricardo Rio foi recusado por Abel Caballero, que coloca como condição para se sentar à mesma mesa um pedido formal de desculpas pelas afirmações de Moreira publicadas na revista “Visão”. Na entrevista da passada semana, o presidente da Câmara do Porto referiu que Vigo “sente-se como a salsicha fresca dentro de uma francesinha, com um aeroporto miserável e que percebeu que há um senhor americano em Lisboa que tem aviões a hélice parados”. Caballero considerou estas declarações “um insulto”.

Sexta-feira passada, a assessoria da Câmara do Porto adiantou ao Expresso que Rui Moreira não iria reagir ao corte de relações anunciado por Caballero.

TAP precisa de financiamento urgente

Em conferência de imprensa realizada esta segunda-feira em Nova Iorque, David Neeleman, um dos donos da TAP, avançou que a companhia precisa com urgência de um financiamento de 120 milhões de euros. O acionista referiu ainda que a empresa detida parcialmente pelo Estado português apresentou em 2015 os maiores prejuízos em 15 anos, embora não tenha quantificado as perdas.

No aeroporto John F. Kennedy, onde anunciou dois novos voos diários de Lisboa para Boston e Nova Iorque, o gestor norte-americano frisou ainda não haver razões para as dúvidas suscitadas pela Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC). Neeleman refuta as dúvidas sobre quem controla a TAP, já que o seu sócio português Humberto Pedrosa detém 51% da Atlantic Gateway e nove dos 11 administradores da transportadora são europeus, o que na sua opinião se enquadra nas regras europeias para o sector.

Apesar das garantias de Neeleman, o impasse no controlo de gestão da TAP mantém-se, após uma reunião inconclusiva, este segunda-feira, entre Fernando Pinto, líder da Comissão Executiva da TAP, e a ANAC.

Em relação ao braço de ferro com presidente da Câmara do Porto, David Neeleman reafirmou que não irá abdicar dos cortes estratégicos das ligações para Bruxelas, Barcelona, Milão e Roma, no final de março. “O Porto é importante para a TAP, mas o desafio é muito grande”, referiu, sublinhando que os concorrentes low cost Ryanair e Easy Jet “recebem subsídios e têm custos baixos”. Para a operação das rotas canceladas não ter prejuízo, a TAP precisaria de uma taxa de ocupação de 120% a 130%, uma luta que Neeleman diz ser impossível a companhia ganhar.