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Linha de Apoio à Vítima atende 17 chamadas por dia

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Marcos Borga

Em 2015, a Linha de Apoio à Vítima recebeu mais de três mil chamadas. Entre as 2303 vítimas registadas, a maioria são mulheres de meia-idade, casadas e com filhos. Os agressores são tendencialmente homens casados e sem antecedentes criminais

A Linha de Apoio à Vítima da APAV atendeu, entre novembro de 2014 e dezembro de 2015, atendeu 3819 pedidos de ajuda, uma média de 17 chamadas por dia, a sua maioria por maus-tratos físicos e psíquicos, no âmbito da violência doméstica.

Neste período, o serviço da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) abriu 2303 novos processos de apoio, segundo dados das "Estatísticas da Linha de Apoio à Vítima", divulgadas para assinalar o Dia Europeu da Vítima de Crime, que se assinala esta segunda-feira.

Segundo a agência Lusa, 66,4% das chamadas tiveram origem em maus-tratos físicos e psíquicos, no âmbito da violência doméstica, 3,7% por ameaça/coação e 3,1% por ofensas à integridade física. O 'stalking' (assédio persistente) motivou 1,9% das chamadas, o 'bullying' 1,1%, os crimes patrimoniais 1,4% e a burla 0,4%, referem ainda os dados, sublinhando que o tempo médio de cada chamada é de 13,5 minutos.

Considerando as 1973 vítimas de crimes registados neste período, a APAV conseguiu traçar o perfil da vítima e do autor do crime. A maior parte das vítimas (84%) são mulheres, com uma média de idade de 46 anos, casadas ou a viver em união de facto (59%), sendo que a maioria (51%) vive numa família nuclear com filhos, 47% têm o ensino superior e 43% estão empregadas.

Dos 310 casos em que a vítima era homem, a APAV constatou que tinham uma média de idade de 44 anos, 46% eram casados ou viviam em união de facto, 44% viviam numa família nuclear com filhos. Os dados indicam ainda que 48,8% destes homens tinham abaixo dos 12 anos de escolaridade e 31,5% estavam empregados.

Relativamente às 103 crianças e jovens que foram vítimas de crime, 60% eram meninas, com uma média de idades de 11 anos, sendo que um quarto frequentava o primeiro ciclo, 13% o segundo ciclo e 7% o terceiro ciclo. No caso dos idosos, que totalizaram 286 casos, 81% eram mulheres, com uma média de idade de 77 anos, 62% eram casados ou viviam em união de facto e 25% viúvos.

Sobre o perfil do agressor, a APAV refere que 83% são homens, com uma média de idade de 45 anos, 67% são casados ou vivem em união de facto, 54% tinham o ensino superior, 55% estavam empregados, 67% não tinham antecedentes criminais e 28,9% eram cônjuges da vítima.

A maior parte das chamadas para a LAV, um serviço de atendimento telefónico, gratuito e confidencial, foi feita pela vítima (68,1,%), seguindo-se os familiares (21,2%), os amigos e conhecidos (13,3%).

Lançada a 17 de novembro de 2014, a linha, que corresponde ao número de apoio à vítima europeu (116 006), trabalha numa rede de parcerias com entidades judiciárias e policiais, possibilitando um encaminhamento rápido da vítima para as entidades competentes. O projeto "pretendeu criar, a nível nacional, um sistema integrado que permita uma triagem eficaz e uma resposta ajustada às necessidades das vítimas", aos seus familiares e amigos.

Para assinalar o Dia Europeu da Vítima de Crime e promover a LAV, a associação lança uma campanha de sensibilização com o tema "A violência esconde-se no silêncio". O Dia Europeu da Vítima de Crime foi instituído pelo Victim Support Europe para recordar os direitos das vítimas de crime.