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Gaia é o hospital do país com mais áreas com excelência clínica

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Entidade Reguladora da Saúde avaliou 127 prestadores de cuidados de saúde em Portugal e deu nota positiva a 84%. Ginecologia e obstetrícia foram as valências que registaram melhorias

É no Norte do país que estão os hospitais com a melhor classificação nos cuidados que prestam à população. A mais recente edição do Sistema Nacional de Avaliação em Saúde (SINAS), divulgada esta segunda-feira pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), atribui a estrela da excelência clínica a 107 das 127 unidades escrutinadas, mas só o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia / Espinho obteve a distinção nas 16 áreas estudadas. Na liderança seguem-se o Hospital de Braga (com gestão privada do Grupo Mello e estrela em 14 áreas) e a Unidade Local de Saúde de Matosinhos, com nota positiva a 13 valências.

No âmbito da excelência clínica, o regulador analisou 16 variáveis, como a assistência prestada no enfarte agudo do miocárdio, nas cirurgias de ambulatório (sem necessitar de internamento) ou do cólon, no AVC, no parto ou nos cuidados intensivos. Os grandes hospitais, como o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e o Santa Maria (no Centro Hospitalar de Lisboa Norte), receberam a estrela em nove das 16 áreas, o São José (integrado no Centro Hospitalar de Lisboa Central) não foi além das quatro.

São João recusa participar

Em outros casos, as unidades não foram sequer avaliadas. Recusaram enviar dados para a ERS. Fizeram-no o portuense São João ou os hospitais Amadora-Sintra, de Santa Cruz (Lisboa), das Caldas ou de Torres Vedras, por exemplo. Sobre os resultados e a falta deles, a ERS apenas diz ao Expresso que "o SINAS é um sistema de avaliação cuja participação tem carácter voluntário e assim a participação decorre ora da existência de produção em determinada área (no que se refere à dimensão excelência clínica), ora de uma decisão de gestão interna".

No entanto, "de uma forma global, verifica-se a melhoria do cumprimento das práticas associadas a diferentes áreas cirúrgicas". Por exemplo, "no que respeita à seleção, administração e interrupção da antibioterapia profilática, os quais estão ligadas à infeção hospitalar, auxiliando a redução da sua incidência". O regulador destaca ainda "a melhoria dos valores de referência dos indicadores da área da pediatria e da área de neurologia, relativos ao AVC", lê-se numa nota enviada às redações.

Num segundo nível de avaliação, que compara a performance das unidades com valores de referência, os peritos da ERS verificaram "um aumento do número de prestadores que obtiveram um nível de qualidade III (o mais alto) nas áreas de ginecologia (36%) e obstetrícia (33%) relativamente à avaliação efetuada em junho de 2015".

Além da dimensão da excelência clínica, o SINAS avaliou também a segurança do doente, a adequação e conforto das instalações, a focalização no utente e a satisfação. O resultado menos animador, embora com 127 instituições a merecerem nota positiva, foi obtido no capítulo da orientação dos serviços de saúde para a necessidades e expectativas dos utentes e dos seus acompanhantes. Já a satisfação do utente, aqui entendida como a atenção que os prestadores dão às exigências feitas pela população que servem, teve mais unidades distinguidas (144). Em breve, a ERS admite iniciar também o escrutínio da satisfação dos utentes com o hospital que utilizam.