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Rui Moreira não pede desculpa ao alcaide de Vigo

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ENTÃO COMO É? Abel Caballero (à direita) diz que não volta a participar no grupo regional Eixo Atlântico, que reúne as câmaras do noroeste de Portugal e da Galiza, enquanto Rui Morera não pedir desculpa pelo que disse

LUCÍLIA MONTEIRO E MIGUEL RIOPA/GETTY

Presidente da Câmara do Porto não vai reagir ao anunciado corte de relações por parte do alcaide de Vigo, Abel Caballero. O edil galego exige um pedido de desculpas de Rui Moreira, por aquilo que considera “declarações miseráveis” do autarca de uma cidade que considera amiga

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Rui Moreira recusa alimentar mais polémica por causa da guerra instalada a propósito das suas afirmações em relação à nova aposta de voos da TAP de Vigo para Lisboa, em detrimento do aeroporto Francisco Sá Carneiro, diz ao Expresso a assessoria de imprensa do presidente da Câmara do Porto, acrescentando que Moreira não vai pedir desculpa a Caballero.

Em entrevista publicada quinta-feira na revista “Visão”, o autarca do Porto afirmou que Vigo “sente-se como a salsicha fresca dentro da francesinha, mas percebeu que há um senhor americano em Lisboa que tem uns aviões a hélice parados e pode mandá-los àquele aeroporto miserável que eles lá têm e trazer uns passageiros a dormir em Lisboa”.

Na origem da discórdia está o cancelamento de rotas de Pedras Rubras para Barcelona, Milão, Bruxelas e Roma e a intenção da TAP de criar um pacote promocional de ligação Vigo/Portela, que incluirá uma noite de hotel em Lisboa, pequeno-almoço e transporte.

“Só pergunto se a TAP também oferece companhia em Lisboa”, questionou Rui Moreira, na mesma entrevista. Indignado, o alcaide (presidente da Câmara) de Vigo exigiu que Rui Moreira se retrate e peça perdão de declarações que considera “miseráveis e impróprias de um autarca de uma cidade que consideramos amiga”.

À “La Voz de Galicia”, Abel Caballero referiu ainda que até haver um pedido de desculpas do presidente da Câmara do Porto não volta a sentar-se à mesma mesa nas reuniões do Eixo Atlântico, associação que reúne as regiões do noroeste peninsular (do Norte de Portugal e da Galiza). O alcaide, membro do Partido Socialista espanhol, acrescentou que percebe os autarcas que defendem as sua cidades mas detesta os que insultam a sua.

O clima de tensão entre os dois autarcas já dura há mais de uma semana, depois de Caballero ter anunciado que iria apresentar queixa à União Europeia para investigar a contestação de Rui Moreira à futura rota da TAP entre Lisboa e a Galiza. À ameaça, o autarca portuense respondeu que se recusava a receber lições de Vigo, alegando que o desvio de voos visava drenar o tráfego da Galiza do aeroporto do Porto.

Ricardo Rio apela à paz

Face ao exacerbar de posições, Ricardo Rio, presidente da Câmara de Braga e atual presidente do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular, prontificou-se esta sexta-feira a servir de “capacete azul” na querela Porto/Vigo, prometendo empenhar-se pessoalmente em aproximar os dois autarcas. O presidente da Câmara de Braga sustenta que, sem Porto ou Vigo, o Eixo Atlântico fica mais pobre, razão por que vai contactar um e outro autarca nos próximos dias.

Ao Expresso, Bragança Fernandes, presidente da Câmara da Maia, revelou esta sexta-feira de tarde a sua solidariedade para com Rui Moreira, que considera “um ótimo presidente de câmara, um regionalista, desde sempre empenhado na luta pelos interesses da região”.

Empenhado na luta contra o desinvestimento no aeroporto Francisco Sá Carneiro, Bragança Fernandes defende que, ao desvalorizar o aeroporto internacional do Porto, a TAP está a lesar não o Porto e o norte mas o país.

“O problema da TAP é nacional. Na Maia, base do aeroporto, estão instaladas 20 mil empresas, muitas estrangeiras e que aqui se instalaram por causa da acessibilidade aeroportuária local. Este fim de semana, temos na região sete feiras de calçado e outras em Milão e Barcelona. Retirar estas ligações é um erro que o país irá pagar caro”, alerta Bragança Fernandes, lembrando que o concelho da Maia contribui com 4% do PIB para a economia nacional.