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E já são 16 linces no matagal alentejano

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Três novos linces ibéricos vão povoar o território alentejano, elevando para 16 os felinos reintroduzidos na região do Vale do Guadiana

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Mel, Mesquita e Malva são os novos inquilinos dos montes alentejanos. Os três felinos, oriundos de centros de reprodução em cativeiro espanhóis, serão soltos esta tarde numa propriedade privada vizinha da herdade das Romeiras, no concelho de Mértola, no âmbito do projeto Iberlince.

O macho e as duas fêmeas nasceram há cerca de um ano e vão agora conhecer a liberdade em forma de "solta dura", ou seja, sem cercado para amortecer a entrada no novo habitat. "Já não se justifica a 'solta branda' dentro de um cercado, porque já existem outros linces nas proximidades", explica Pedro Rocha, diretor do Departamento de Conservação da Natureza e das Florestas do Alentejo.

Com a entrada dos três novos exemplares de lynx pardinus eleva-se para 16 a população de linces ibéricos reintroduzida em Portugal. Mel, Mesquita e Malva juntam-se assim a Myrtilis, Mirandilla, Monfrague e Macela, soltos desde janeiro deste ano, e aos nove outros linces reintroduzidos em habitat natural em Portugal desde dezembro de 2014. Jacarandá, Katmandú, Kempo, Loro, Liberdade, Lluvia, Lagunilla, Luso e Lítio são os outros membros da população que continua a deambular pelo matagal alentejano.

Até ao fim de 2016, a eles ainda se juntarão mais dois exemplares desta espécie de felino, considerada a mais ameaçada do mundo.

Até agora só morreu um dos linces ibéricos reintroduzidos neste território. A fêmea Kayakweru foi envenenada há perto de um ano e a sua morte continua sob investigação nas mãos do Ministério Público de Beja.

A assistir à solta, prevista para as 15h30 desta sexta-feira, estarão alunos das escolas locais e a Secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Célia Ramos, assim como alguns proprietários dos terrenos envolvidos, integrados numa zona de caça turística.

A Associação de Proprietários Rurais (ANPC), que subscreve o Pacto Nacional para a Conservação do Lince-ibérico, enviou um comunicado às redações a congratular-se "com mais este passo para a recuperação do lince em Portugal".