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Canceladas sessões do julgamento de Bárbara e Carrilho

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Em causa estão as declarações da magistrada Joana Ferrer, que criticou a apresentadora por demorar a apresentar queixa

A sessão desta sexta-feira e as próximas do julgamento de violência doméstica que opõe Bárbara Guimarães a Manuel Maria Carrilho foram suspensas.

"Acabámos de ser notificados pelo tribunal de que a sessão da manhã de sexta-feira e as próximas foram suspensas", disse ao Expresso Paulo Sá e Cunha, advogado do ex-ministro da Cultura. A apresentadora e o Ministério Público entregaram incidentes de recusa da juíza Joana Ferrer. O Tribunal da Relação deverá agora pronunciar-se no espaço de cerca de um mês.

Em causa estão as considerações feitas pela magistrada na primeira sessão de julgamento. Joana Ferrer disse à apresentadora de televisão que a censurava por ter demorado a apresentar queixa contra o ex-marido, e manifestou dúvidas sobre as queixas de Bàrbara. "Confesso que estive a ver fotografias do vosso casamento", disse Joana Ferrer, e tudo parecia maravilhoso. “Parece que o professor Carrilho foi um homem até ao nascimento da Carlota [a segunda filha do casal], e depois passou a ser um monstro.” Ora, “o ser humano não muda assim”, disse a juíza.

A Associação Portuguesa de Mulheres Juristas e associações que trabalham com vítimas de violência vieram a público criticar a atitude de Joana Ferrer. A Plataforma feminista Maria Capaz enviou uma queixa ao Conselho Superior da Magistratura, o que pode levar à abertura de um processo disciplinar.

Este é o segundo incidente de recusa do processo. O primeiro foi feito por Manuel Maria Carrilho sobre a primeira juíza sorteada para julgar o caso, A magistratada já tinha julgado outro processo que envolvia o ex-ministro e o padrasto de Bárbara Guimarães. A Relação deu razão ao ex-governante e foi feito novo sorteio, calhando o processo a Joana Ferrer.

  • Até onde pode ir um juiz?

    “Censuro-a!” Foi assim que a juíza Joana Ferrer se dirigiu a Bárbara Guimarães, alegada vítima de violência doméstica. E pode? O estatuto dos magistrados admite pena disciplinar para o juiz que “causar perturbação no exercício das funções”. O Expresso foi ouvir vários magistrados e responsáveis de associações de apoio a vítimas