Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Reunião entre Costa e Moreira não levanta voo

  • 333

Da reunião em Lisboa, esta quarta-feira, entre António Costa e Rui Moreira não resultou qualquer alteração à decisão da TAP de suprimir voos no aeroporto do Porto. Coimbra manifesta apoio ao Porto

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Tal como se antevia, o encontro desta quarta-feira realizado em São Bento entre o primeiro-ministro e o presidente da Câmara do Porto serviu, sobretudo, para Rui Moreira comunicar formalmente ao Governo as tomadas de posições tornadas públicas ao longo dos últimos dias.

Após a reunião solicitada pelo autarca do Porto a António Costa na passada sexta-feira, não houve declarações de qualquer dos intervenientes, silêncio que indicia que não estará no plano de voo governamental a alteração das decisões da TAP em relação ao abandono de rotas a partir do aeroporto do Porto.

Terça-feira, após ter reunido com responsáveis da Ryanair e ter assegurado a retoma de algumas rotas abandonadas pela TAP a partir do aeroporto Francisco Sá Carneiro, Rui Moreira prometeu que não irá baixar os braços em relação ao anunciado desinvestimento da companhia participada em 50% por capitais públicos no norte do país. O interesse da Ryanair, que irá reforçar as operações no aeroporto de Pedras Rubras em novembro, serviu ainda para Rui Moreira desmontar o cancelamento dos voos para Barcelona, Roma, Milão e Bruxelas em março devido a um alegando prejuízo de 8 milhões de euros, sustentando que a “Ryanair não entra nisso para perder dinheiro”.

“O que nos preocupa é que a TAP continua a ser uma empresa de capitais públicos. Isso tudo seria fácil se fosse uma empresa privada, como é a Ryanair”, referiu o autarca, concluindo que o incomoda é que a TAP não pode para umas coisas ser uma coisa pública e para outras privadas, com alguns trajetos não abertos à livre concorrência.

O que é afinal a TAP após o Estado ter revertido parcialmente a privatização foi uma das questões que Rui Moreira levou para o encontro com António Costa, mas para a qual não se conhece resposta face ao silêncio após a reunião. O presidente da Câmara do Porto defende que não tem de reivindicar a valorização do aeroporto do Porto junto da administração da TAP, mas sim com o primeiro-ministro do país.

Tanto a concelhia do PS/Porto como o PCP/Porto já criticaram a posição da TAP no desinvestimento no aeroporto do Porto, imputando as culpas ao processo de privatização do anterior Governo PSD/CDS. Tiago Barbosa Ribeiro, líder da concelhia socialista, já referiu que a redução de rotas não acautela os interesses da região, cujo tecido empresarial mais tem contribuído para as exportações portuguesas e não acautelando o exponencial aumento turístico que Porto e norte têm registado.

Em comunicado emitido no início do mês, a direção local do PCP defendeu que a supressão de voos tem como justificação uma clara opção política dos novos donos da TAP, nada tendo que ver com a necessidade de rentabilizar recursos da empresa, “dada a forma como foram ignoradas as elevadas taxas de ocupação médias dos voos em causa”.

Coimbra ao lado do Porto

Manuel Machado, presidente da Câmara de Coimbra, também expressou esta quarta-feira de tarde total apoio a Rui Moreira relativamente ao caso TAP. Em comunicado, o autarca socialista mostrou-se solidário com a luta do autarca portuense, sublinhando a necessidade de empresas como a TAP desenvolverem a sua atividade “tendo em conta os legítimos interesses das pessoas, da atividade económica e do turismo”.

Manuel Machado defende, tal como Moreira, que o Governo, que já avançou com o negócio para reassumir 50% da transportadora, deve interceder no caso, “obrigando a TAP a recuar na sua decisão”.