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Novos parquímetros do Porto controlados por telemóvel

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LUCÍLIA MONTEIRO

Lugares pagos aumentam e uma aplicação vai permitir monitorizar o tempo de utilização e o valor a cobrar

Cláudia Lopes

Os velhos parquímetros que nos últimos anos regularam o estacionamento no Porto foram considerados obsoletos e estão a ser retirados das ruas da cidade. Chegam para os substituir, nas palavras de Paulo Nabais, responsável pela EPorto, empresa privada que passa a gerir os lugares de estacionamento pago, “os parquímetros mais avançados de Portugal”, cuja inovação passa pela utilização de uma aplicação móvel para utilizar o equipamento.

Até ao final do primeiro ano de exploração, a EPorto irá expandir para seis mil os atuais pouco mais de quatro mil lugares taxados.

O novo sistema visa o fim dos bilhetes colocados no tabliê do carro. São substituídos por uma aplicação, a Telpark, instalada no telemóvel ou tablet, que permite ver há quanto tempo se está a usar o equipamento e qual o total a pagar. Quanto ao pagamento, o usuário terá que associar um cartão de crédito ao seu registo na aplicação. Duas semanas após o uso do parquímetro, o montante a pagar é debitado no cartão.

Este sistema pós-pago em que o usuário apenas paga o tempo efetivo de utilização do lugar de estacionamento é uma das vantagens apontadas pela empresa, por oposição ao sistema pré-pago, no qual são cobrados mesmo os minutos não utilizados.

Caso os utentes não queiram usar a aplicação, o pagamento por moedas é igualmente disponibilizado. A única alteração substancial é a obrigatoriedade de registo da matrícula do carro na parquímetro, que substitui a colocação do bilhete com a indicação do tempo comprado no interior da viatura.

O controlo é feito por elementos da empresa EPorto, que reportarão à Polícia Municipal qualquer situação de incumprimento. Nesses casos será enviado um aviso de pagamento ao utilizador. Evita-se, assim, diz Paulo Nabais, “o recurso imediato ao reboque”. Para Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, um dos objetivos destas alterações é proporcionar a rotatividade no parqueamento, “acabando com o estacionamento de segunda linha”.

A instalação está a cargo da EPorto (Empark, Resopre e Dornier), o consórcio privado ao qual a Câmara Municipal cedeu a gestão do estacionamento pago no Porto por 12 anos, após um acordo através do qual a sociedade terá de entregar oito milhões de euros, aos quais se juntam 54,2% da receita bruta a pagar anualmente durante os anos da concessão – algo que, na opinião de Rui Moreira, representa “ um encaixe muito interessante”.

No entanto, os portuenses não parecem convencidos. Um potencial utilizador encontrado na baixa do Porto, José Mário Santos, considera não ter nada a ganhar com a automatização do pagamento e defende que este novo sistema vem apenas “burocratizar uma coisa tão simples, que é pôr lá uma moeda”.

Outra condutora, Ema Ferraz, é também crítica quanto ao novo sistema e sublinha que “há pessoas que não têm smartphone nem sabem usar aplicações.” Já Alberto Fernandes, apesar de considerar o novo sistema mais complexo de utilizar do que o atual, ressalva que “se só se paga o tempo em que se está estacionado, nesse aspeto é melhor”. Critica, porém, a falta de um sistema de estacionamento para os comerciantes, “como os que têm para os moradores”. Esta é uma opinião partilhada por Maria Carneiro: “Se tivermos que pagar estacionamento todos os dias, não se ganha para pagar.”

Durante as próximas semanas irá decorrer uma campanha de sensibilização e informação junto dos utilizadores.

Para além da nova tecnologia, estes parquímetros funcionam totalmente a energia solar e são 98% recicláveis. Os novos 362 equipamentos irão substituir os 353 existentes e as zonas taxadas mantêm-se praticamente inalteradas. São, no entanto, acrescentados 150 lugares taxados, o que perfaz um total de 4227 lugares de estacionamento tarifados.

Guindais, Sé, Cordoaria, Alfândega, Hospital de Santo António e Cedofeita serão taxadas a 50 cêntimos por hora, e as zonas de Carlos Alberto, Trindade, Bolhão, Aliados, Batalha, Mouzinho e Ribeira a um euro por hora. Até ao final do primeiro ano de exploração, a EPorto terá de expandir os lugares taxados para 6000.

Os moradores poderão usufruir de até três avenças de residente, com um custo de 25 euros anuais cada, algo que, segundo Rui Moreira, no antigo executivo podia custar 400 euros por viatura.