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Mãe das meninas atiradas ao Tejo fica em prisão preventiva

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As operações de busca em Caxias

MANUEL DE ALMEIDA / Lusa

Mulher de 37 anos foi constituída arguida por “fortes indícios do duplo homicídio” das filhas. Em novembro do ano passado, tinha apresentado queixa na PSP contra o ex-companheiro por violência doméstica e abuso sexual das meninas. Pai nega as acusações

A mulher de 37 anos que segunda-feira à noite se atirou ao Tejo com as duas filhas - de 19 meses e quatro anos - ficou em prisão preventiva por fortes indícios de duplo homicídio das crianças. Os inspetores da Polícia Judiciária estiveram a interrogá-la durante a tarde desta quarta-feira.

Apesar de o alegado crime ter ocorrido há dois dias, a mulher só foi inquirida esta quarta-feira porque as autoridades consideraram que "não se encontrava [terça-feira] em condições psicológicas" para prestar depoimento sobre o que se passou na noite de segunda-feira na praia de Caxias, em Oeiras.

A mulher encontrava-se internada no Hospital Santa Maria, em Lisboa, desde segunda-feira à noite, quando saiu da água em avançado estado de hipotermia e em choque, tendo sido socorrida por um taxista que estava a passar junto à praia. Na altura, a mãe das crianças alertou que as filhas ainda se encontravam no mar. "Procurem as minhas meninas!", pediu, desesperada, aos bombeiros que acorreram ao local.

O corpo da criança mais nova, de 19 meses, foi encontrado na noite de segunda-feira. Já a menina de quatro anos continua a ser procurada pelas autoridades marítimas, que esta quarta-feira alargaram o perímetro de buscas.

Em novembro do ano passado, a mulher apresentou queixa à PSP por violência doméstica, acusando igualmente o pai das crianças, de quem entretanto se separou, de abusar sexualmente das menores. Em comunicado divulgado esta quarta-feira, o pai negou todas as acusações, que classificou de "barbaridades".

Na sequência da queixa de novembro, a PSP montou um plano de segurança para proteger a mulher. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), foi instaurado, nessa altura, "um inquérito onde se investigam factos suscetíveis de integrarem os crimes de violência doméstica e de abuso sexual de crianças".

"No âmbito deste inquérito, foi proposta à denunciante a teleassistência, tendo sido elaborado um plano de segurança" para proteger a mulher, adianta a PGR, sem revelar mais pormenores do caso, que se encontra em segredo de justiça.