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“Limitar a imigração na Europa é um grande erro”

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Economista norte-americano Gene Grossman defende que a zona euro exagera na austeridade em detrimento do crescimento económico. Esta quarta-feira, o 17.º doutor honoris causa da Universidade do Minho será o orador convidado, numa conferência onde estará ao lado do ministro da Economia

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Gene Grossman, 60 anos, professor da Universidade de Princeton e um dos mais influentes economistas a nível mundial, afirma estar muito preocupado com as tendências nacionalistas e populistas hostis à imigração.

Em entrevista publicada esta quarta-feira no jornal online “Nós”, da Universidade do Minho, o economista e consulror do Banco Mundial e da OCDE defende que “limitar a circulação de pessoas e ideias vai ser um grande erro, e muito caro”.

Questionado sobre a crescente imigração na Europa e as consequências na economia mundial do conflito sírio e da expansão do Estado Islâmico, Grossman lembra que durante séculos as economias têm prosperado com base na diligência, inovação e pura ambição dos imigrantes altamente motivados.

O investigador, que esta noite dará uma conferência de imprensa conjunta com o ministro da Economia Manuel Caldeira Cabral, na reitoria da Universidade do Minho, refere que seria presunçoso da sua parte comentar a situação económica portuguesa, mas sustenta estar dececionado com o desempenho da zona euro como um todo. “Vejo uma ênfase exagerada na austeridade e uma preocupação excessiva na estabilidade de preços, em detrimento da recuperação e crescimento”.

Gene Grossman, que esta manhã recebeu o doutoramento honoris causa da Universidade do Minho, explica as sucessivas falhas nas previsões económicas por ser um sistema complicado, que envolve interações entre milhões de pessoas com diderentes constrangimentos institucionais. “É um sistema que envolve pessoas e não partículas. As partículas estão sujeitas às leis da física e farão sempre a mesma coisa desde que as condições se mantenham. As pessoas são mais temperamentais e menos orientadas por regras e lógica”.

Em conclusão, o economista que se confessa um apaixonado pelo Quénia e as Galápagos, jogador de basquetebol na juventude, adianta estar mais impressionado com a forma como a sua profissão de economista é boa em prever a resposta a várias políticas, do que surpreso com as falhas na previsão da próxima recessão.