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Cavaco apela à estabilidade no adeus às Forças Armadas

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“O país e os portugueses não compreenderiam a existência de umas Forças Armadas sem a prontidão e o nível de resposta adequados para o cumprimento das missões”, palavras do Presidente da República no discurso de despedida, esta manhã em Lisboa

Carlos Abreu

Jornalista

No derradeiro discurso às Forças Armadas, esta manhã em Lisboa, Cavaco Silva dirigiu-se sobretudo a quem fica. Desde logo ao ministro da Defesa Nacional, presente na cerimónia celebrada no Instituto Universitário Militar, defendendo que “há que assegurar a estabilidade legislativa e os recursos necessários para que possa ser avaliada a adequação [da recente reforma lançada pelo Governo PSD/CDS, conhecida como Defesa 2020] aos objetivos propostos”.

Recorde-se que na sua primeira audição na Comissão de Defesa Nacional, no Parlamento, o ministro Azeredo Lopes garantiu, sobre estas reformas, ser sua intenção alterar apenas o que tiver de ser alterado e manter o que tiver de ser mantido, ainda que não se tenha comprometido com nenhum diploma em concreto.

A propósito destes processos de reforma, o Presidente da República diz ter estabelecido sempre duas prioridades: “As pessoas, o recurso mais valioso sobre as quais se deve centrar a ação de comando, não esquecendo as que, já afastadas das fileiras, se encontram numa situação mais fragilizada; e, em paralelo, a capacidade operacional, requisito essencial à aplicação do vetor militar”.

“O país e os portugueses não compreenderiam a existência de umas Forças Armadas sem a prontidão e o nível de resposta adequados para o cumprimento das missões”, afirmou ainda Cavaco Silva.

Os cerca de 600 militares presentes na cerimónia - muitos dos quais alunos das três academias militares, das escolas de sargentos -, ouviram também o chefe de Estado lembrar que são eles “a última reserva da soberania e o pilar estruturante da afirmação da identidade nacional”, e que devem “ser objeto de uma cultura de compromisso e consenso institucional entre as Forças Armadas e os diferentes órgãos de soberania”. Cavaco sublinou ainda o "caráter eminentemente nacional e suprapartidário" das Forças Armadas.

Na reta final do seu breve discurso de despedida, o comandante supremo garantiu ainda que "mesmo num quadro de complexa situação social e financeira, [as Forças Armadas] continuam a cumprir exemplarmente as suas missões no plano interno e externo, com competência e dedicação, revelando elevados padrões de desempenho e colocando sempre em primeiro lugar os interesses do país e dos portugueses".