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PCP contesta solução do Governo para a TAP. “Não serve o país”

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MIGUEL A. LOPES / Lusa

Para João Oliveira, líder parlamentar dos comunistas, “o controlo e propriedade públicos da TAP são condições decisivas para que ela possa cumprir o seu papel estratégico”

O PCP afirma que a solução encontrada pelo Governo PS para a TAP "não serve os interesses do país", considerando lamentável que "muitos dos que choram sobre o leite derramado" tenham apoiado as decisões do Executivo PSD/CDS.

"Esta solução encontrada pelo Governo do PS não corresponde, não serve os interesses do país, até porque mesmo recuperando parte do capital para o Estado a gestão da empresa mantém-se privada", afirmou o líder parlamentar comunista João Oliveira, em declarações no Parlamento proferidas esta terça-feira.

Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, tem sido um dos protagonistas políticos mais ativos contra a decisão de descontinuação de diversas rotas aéreas da TAP a partir do aeroporto Sá Carneiro, em Pedras Rubras.

"É uma pena que só se tenham lembrado do Porto agora. Quando o anterior Governo teve em curso o processo de privatização, quando essas preocupações já se colocavam todas, era preciso ter juntado forças. Infelizmente, muitos daqueles que hoje choram sobre o leite derramado, na altura devida não tomaram as posições que deviam e acompanharam até as posições do Governo PSD/CDS", criticou João Oliveira.

Para o PCP, "o controlo e propriedade públicos da TAP são condições decisivas para que ela possa cumprir o seu papel estratégico". "No seu papel estratégico incluem-se rotas que correspondem a conceções de unidade do Estado, igualdade de tratamento entre portugueses e de desenvolvimento intra e inter-regional", destacou o chefe da bancada parlamentar comunista.

A TAP reitera que as quatro rotas europeias canceladas a partir do Porto (Bruxelas, Barcelona, Roma e Milão) representavam um prejuízo de 8,02 milhões de euros.

Segundo o acordo assinado entre o Governo PS e o consórcio Gateway, o Estado vai pagar 1,9 milhões de euros para ficar com 50% da empresa (em vez de 34% negociados pelo anterior Executivo PSD/CDS), enquanto o consórcio privado vai passar de 61% do capital da companhia para 45%, podendo chegar aos 50% com a aquisição do capital à disposição dos trabalhadores.

O Estado passa ainda a nomear o presidente do conselho de administração da companhia aérea, composto por 12 elementos – seis escolhidos pelo Estado e seis pelo consórcio privado. Já a comissão executiva, liderada por Fernando Pinto, terá três membros, nomeados pelos acionistas privados.

Os comunistas prometem continuar a "escrutinar, de forma tão apertada quanto possível" as "opções estratégicas" que vierem a ser tomadas pelos responsáveis daquela transportadora aérea, sobretudo, "a nível parlamentar".