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Mãe das duas crianças mortas no Tejo acusou marido de abusar sexualmente das filhas

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A operação de resgate na praia de Caxias começou segunda-feira à noite e prosseguiu esta terça-feira para encontrar o corpo de uma menina de quatro anos que continua desaparecida

D.R.

Em novembro, a mãe apresentou queixa à PSP por violência doméstica e suspeita de abuso sexual das filhas, de 20 meses e 3 anos de idade. A bebé foi encontrada sem vida. A menina continua desaparecida no Tejo

A mulher que segunda-feira à noite se terá atirado ao Tejo junto à praia de Caxias com as duas filhas, de 20 meses e 3 anos, acusou em novembro o companheiro de violência doméstica e de abusar sexualmente das meninas. A queixa foi apresentada à PSP, que comunicou o caso à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens. A bebé foi encontrada sem vida e a criança mais velha continua desaparecida.

"Em novembro, a mãe apresentou queixa por violência doméstica reiterada e disse ter suspeitas de que as duas meninas eram sexualmente abusadas pelo pai. A PSP sinalizou o caso à Comissão de Proteção de Crianças da Amadora, que, de acordo com a lei, o remeteu para o Ministério Público com carácter urgente", diz ao Expresso Fátima Duarte, da Comissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens em Risco. O “Público” tinha avançado esta terça-feira de tarde que as duas meninas “seriam abusadas sexualmente pelo pai”.

De acordo com a Fátima Duarte, a Comissão de Proteção de Crianças da Amadora não tinha, até esse momento, conhecimento de qualquer situação de violência ou abuso, nunca tendo estado a acompanhar a família.

Ao que o Expresso apurou, a violência doméstica terá estado na origem da separação do casal. "Era uma mulher deprimida no meio de um processo de divórcio", descreveu fonte ligada à investigação, adiantando que a mãe ainda não foi ouvida pela Polícia Judiciária, "por não se encontrar ainda em condições psicológicas para o fazer". Neste momento, a mulher, de 37 anos, está internada no Hospital Amadora-Sintra, onde está a ser acompanhada pelo serviço de Psiquiatria.

Segundo a Capitania de Lisboa, a mãe saiu da água segunda-feira à noite em "avançado estado de hipotermia", tendo sido socorrida por um homem que estava a passar junto à praia de Caxias, no concelho de Oeiras. Na altura, em estado de pânico, a mãe alertou que as duas filhas ainda se encontravam no mar.

A mais pequena, de 20 meses, foi encontrada sem vida, estando ainda a decorrer as operações de busca para encontrar a menina de quatro anos, envolvendo oito homens dos Bombeiros Voluntários de Paço de Arcos e três lanchas, da Capitania de Lisboa, da Polícia Marítima e do Instituto de Socorros a Náufragos.

Ao Expresso, o Comandante dos Bombeiros Voluntários de Paço de Arcos, Ricardo Ribeiro, confirmou que a mãe se encontrava "em estado de hipotermia grave".

Alertado pelas autoridades, o pai das duas crianças esteve segunda-feira à noite na praia de Caxias, onde voltou esta terça-feira de manhã para acompanhar as operações de resgate.