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Vídeo mostra nova descarga no Tejo

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Imagens recolhidas no rio Tejo, na zona de Vila Velha de Ródão, apontam para novas descargas ilegais este fim de semana. Autoridades ambientais dizem que estão “em cima do assunto”

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Um filme amador de 13 minutos mostra uma mancha de água escura que alastra num troço do rio Tejo, junto a Vila Velha de Ródão. As imagens estão a circular nas redes sociais, nomeadamente na página do Facebook do deputado social-democrata Duarte Marques, que diz ter-se juntado a pescadores e ambientalistas para "mergulhar" no rio Tejo em busca dos focos de poluição.

O vídeo mostra a água suja, mas não o tubo de onde ela vem. Porém, deputado e pescadores apontam como "culpada" a fábrica de pasta de papel da Celtejo, localizada na zona industrial de Vila Velha de Ródão.

A empresa rejeita as acusações. "A Celtejo não fez qualquer descarga no Tejo. A Celtejo faz captação de água no Tejo e devolve ao Tejo os seus efluentes devidamente tratados a partir da sua ETAR", argumenta fonte oficial da fábrica de pasta de papel. E acrescenta: "O vídeo não demostra qualquer foco de poluição, mas antes um fluxo anormal de água proveniente das fortes chuvadas que poderá ter feito levantar sedimentos presentes no leito do rio, criando a sensação de falsa poluição."

Mas a Celtejo, tal como a vizinha Centroliva (que processa bagaço e produz energia a partir de biomassa), são vistas pela Agência Portuguesa do Ambiente como “potenciais fontes de poluição” neste troço do Tejo. E ambas estão a ser alvo de fiscalização mais apertada pela Inspeção-Geral do Ambiente e pelos serviços ambientais da GNR (SEPNA).

Ultimato

Identificada como "infratora recorrente", a Centroliva foi alvo de um ultimato da Inspeção-Geral do Ambiente, no início de fevereiro. Esta entidade determinou um prazo de cinco dias para que a empresa executasse "as medidas mais urgentes com vista à limpeza dos solos e remoção das terras contaminadas" e deu 30 dias para que adotasse "as medidas necessárias para que possa continuar a exercer a sua atividade sem incumprimentos ambientais". Se não cumprir, terá a atividade suspensa, informou o Ministério do Ambiente há cerca de duas semanas.

Em janeiro, o ministro João Matos Fernandes anunciou a criação de uma comissão de Acompanhamento para “avaliar e diagnosticar as situações com impacto direto na qualidade da água” e “elaborar estratégias de atuação que agilizem a capacidade de atuação da administração perante os problemas de poluição identificados”. A referida Comissão deverá apresentar um relatório até junho.

Para já, o Ministério do Ambiente garante que tem as duas empresas suspeitas debaixo de olho.

  • O maior rio da península ibérica está a morrer?

    O Tejo sofre de múltiplas pressões humanas ao longo de todo o seu percurso e entra já debilitado na fronteira portuguesa. Nalguns troços, está moribundo por causa de baixos caudais e descargas poluentes. Em 2015, a poluição do principal rio português foi considerada um dos piores factos ambientais do ano pela Quercus. Mas a culpa continua a morrer solteira. No último ano, as autoridades ambientais receberam 38 denúncias por descargas, mas apenas uma fábrica teve atividade suspensa fruto de reiterada prevaricação