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Dona de imobiliária condenada a quatro anos de prisão por burlar o BES

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Condenada a quatro anos e nove meses de prisão efetiva, a principal arguida está em paradeiro incerto. Há mais três condenados com pena suspensa e um absolvido

O julgamento dos cinco arguidos suspeitos de terem burlado o BES através da aquisição fraudulenta de uma casa terminou com a condenação de quatro dos réus e a absolvição de um quinto, Júlio Maurito, o único presente na sala de audiências do Tribunal de Santa Maria da Feira.

Rosalina Dias da Silva, dona da imobiliária onde foi engendrada a burla, foi condenada a quatro anos e nove meses de prisão efetiva, mas não compareceu à leitura da sentença e tem neste momento paradeiro incerto.

O juiz deu como provado que Rosalina e mais dois cúmplices angariavam indivíduos sem qualquer capacidade financeira para, em seu nome, apresentar um pedido de financiamento para aquisição de habitação própria permanente.

Em fevereiro de 2007, Rosalina, Hugo Dias (condenado a três anos e nove meses de prisão com pena suspensa) e Júlio Maurito (absolvido, por na opinião do tribunal não ter conhecimento direto da operação), convenceram, a troco de dinheiro, um casal de toxicodependentes a fornecer os documentos de identificação e a assinar toda a documentação necessária à aquisição de uma moradia em Vila Nova de Gaia avaliada em 450 mil euros.

Com aqueles documentos na sua posse, Rosalina e os cúmplices abriram uma conta em nome do casal constituído por João Candeias e Áurea Lima, condenados respetivamente a dois anos e dois anos e meio de prisão por burla qualificada, mas com pena suspensa. Aberta a conta na dependência do BES de Santa Maria da Feira, Rosalina contraiu um crédito à habitação e um crédito complementar.

Nunca foi paga qualquer prestação relativa ao empréstimo. O BES acabou por conseguir vender a casa por 250 mil euros e exigia uma indemnização capaz de fazer ressarcir o banco do remanescente. O tribunal não acolheu o pedido de indemnização com dois argumentos. Por um lado, considerou que a concessão do crédito de 450 mil euros resultou de uma sobreavaliação da moradia e, por outro, sustentou não ter ficado provado que o diferencial entre o crédito conseguido e o valor pelo qual a casa foi vendida pelo banco tivesse resultado da conduta dos réus.