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Associação de Mulheres Juristas manifesta “preocupação” com expressões da juíza no julgamento de Carrilho

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As expressões utilizadas pela juíza Joana Ferrer durante o interrogatório a Barbara Guimarães na primeira sessão do julgamento estarão “desconformes com o legalmente estipilado sobre o modo de agir com vítimas de violência doméstica”

A Associação Portuguesa de Mulheres Juristas manifestou esta segunda-feira “preocupação” com algumas expressões usadas pela juíza Joana Ferrer no julgamento do antigo ministro socialista Manuel Maria Carrilho por alegada violência doméstica contra a sua ex-mulher, a apresentadora Bárbara Guimarães.

De acordo com o jornal “Público”, na primeira sessão do julgamento, na sexta-feira em Lisboa, a juíza perguntou a Bárbara Guimarães quando é que as coisas "mudaram".

"Confesso que estive a ver fotografias do vosso casamento", disse Joana Ferrer, e tudo parecia maravilhoso. “Parece que o Professor Carrilho foi um homem, até ao nascimento da Carlota [a segunda filha do casal], e depois passou a ser um monstro.” Ora “o ser humano não muda assim”, disse a juíza, segundo o “Público”.

Num comunicado divulgado esta segunda-feira, a Associação Portuguesa de Mulheres Juristas diz que “não quer deixar de expressar publicamente a sua preocupação pelo que estas revelam sobre a persistência de pré-juízos desconformes com o legalmente estipulado sobre o modo de agir com vítimas de violência doméstica”.

No comunicado, a Associação Portuguesa de Mulheres Juristas refere que tomou conhecimento pela comunicação social de “algumas das instâncias” da juíza de Direito que preside ao julgamento.

“A Associação Portuguesa de Mulheres Juristas está crente que o decurso da Audiência de Julgamento fará jus ao modo adequado de conclusão dos atos judiciais conforme à consideração e respeito por todos os intervenientes processuais”, acrescenta o comunicado.
O antigo ministro socialista da Cultura Manuel Maria Carrilho, que se separou de Bárbara Guimarães em 2013 após um casamento de mais de 10 anos, é acusado de violência doméstica.

Segundo a apresentadora, os maus tratos físicos ocorreram entre finais de 2012 e 2013.