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Os eternos esquecidos

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Quando pensamos em Óscares, o galardão mais importante do mundo do cinema, associamos-lhes imediatamente nomes de grandes atores. Mas surpresa das surpresas, alguns nunca o conquistaram. Injustiça, azar ou más relações com a Academia de Hollywood? A 28 de Fevereiro se saberá se alguns destes “feitiços” serão quebrados. Aqui ficam oito casos mais “flagrantes”

Leonardo DiCaprio

Todos apostam em Leonardo DiCaprio para levar a estatueta de Melhor Ator para casa em 2016

Todos apostam em Leonardo DiCaprio para levar a estatueta de Melhor Ator para casa em 2016

© Toby Melville / Reuters

À quinta, será de vez? Dizem que este é finalmente o seu ano. Que se não ganhar com a interpretação incrível com que nos brinda no filme "The Revenant" de Iñarritu, será uma enorme injustiça. A verdade é que o talento de Leonardo DiCaprio como ator há muito parece provado, mas a Academia de Hollywood nunca se rendeu ao "rapaz". O "puto" que já celebrou 41 primaveras e que conta 25 anos de carreira ainda não conseguiu ganhar um Óscar. Teve um sucesso de bilheteira estrondoso em "Titanic" em 1997 (há quase 20 anos!), tornou-se "ator fetiche" de Martin Scorsese, que lhe deu vários papéis, como na película "Gangues de Nova Iorque" (2002), escolheu sempre bem as suas participações, mas seria preciso esperar 11 anos até voltar a vê-lo nomeado para a categoria de Melhor Ator (já o fora para Melhor Ator Secundário, em 1994, com "Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador"). Em 2005, viu o Óscar de melhor Ator, pela sua interpretação em "O Aviador", escorregar-lhe das mãos para Jamie Foxx, no papel de Ray Charles. "Apanha-me Se puderes" e "Romeo e Julieta" passaram ao lado das nomeações, mas em 2007, DiCaprio volta a estar na lista para Melhor Ator com o filme "Diamantes de Sangue" - de uma vez mais, não teve sucesso. "Inception" (2010) e "The Great Gatsby" (2013) foram ignorados em questão de interpretação. Só em 2014 teria nova nomeação, com a longa-metragem "O Lobo de Wall Street". Mas a sorte sorriu a Matthew McConaughey e não a ele. E este ano... será?

Ralph Fiennes

Ralph Fiennes falhou o Óscar de Melhor Ator em "O Paciente Inglês", em 1996. Para muitos, uma tremenda injustiça.

Ralph Fiennes falhou o Óscar de Melhor Ator em "O Paciente Inglês", em 1996. Para muitos, uma tremenda injustiça.

© Mario Anzuoni / Reuters

É, indiscutivelmente, um grande ator. Basta pensar nele na película "O Paciente Inglês" (1996) para não restarem dúvidas. E, contudo, o britânico de 53 anos não conta com nenhum Óscar no seu palmarés. Nomeado em 1997 para Melhor Ator com "O Paciente Inglês", perderia para Geoffrey Rush, na sua interpretação em "Shine". Em 1993, já tinha sido nomeado para Melhor Ator Secundário, no terrível papel do nazi que matava judeus da varanda, em "A Lista de Schindler", mas também não levou para casa a estatueta. Pelo meio, ficaram por assinalar interpretações em filmes como "Quizz Show" (1994), "Spider", de Cronenberg (2002) ou "O Fiel Jardineiro" (2005). Nomeado inúmeras vezes para vários galardões, espera ainda o reconhecimento da Academia de Hollywood.

John Malkovich

Quarenta anos de carreira, grandes interpretações... e sem Óscares. John Malkovich é um dos nomes esquecidos na Academia

Quarenta anos de carreira, grandes interpretações... e sem Óscares. John Malkovich é um dos nomes esquecidos na Academia

© Jean Blondin / Reuters

Quando pensamos num intérprete consensualmente reconhecido, o nome John Malkovich é imediato. Participou em mais de 70 filmes, alguns com atuações notáveis - "Ligações Perigosas" (1988) ou "Império do Sol" (1987) foram algumas delas. O ator de 62 anos esteve magnífico, em 1999, na paródia de Spike Jonze, "Being John Malkovich" (1999), que foi ignorado pela Academia. Com 40 anos de carreira, Malkovich já não tem nada a provar- mas também não tem um Óscar em casa.

Edward Norton

Três nomeações e nenhum Óscar para mostrar. Edward Norton virou-se agora para a realização.

Três nomeações e nenhum Óscar para mostrar. Edward Norton virou-se agora para a realização.

© Mario Anzuoni / Reuters

Aos 46 anos, o norte-americano ficou imortalizado no papel de violento nazi em "American History X" (1998). Para muitos, esse foi o ano que deveria ter sido de Edward Norton, mas das três nomeações ("Primal Fear", em 1996, "American History X", e "Birdman", 2014), nenhuma se concretizou na desejada estatueta. Houve muitas outras grandes interpretações no repertório deste ator: "The people vs Larry Flynt" (1996), "Fight Club" (1999), ou mais recentemente, "The Grand Budapest Hotel" (2014) . Vejamos quando o (agora também) realizador (e ativista) volta a cair nas graças da Academia.

Liam Neeson

Desde a sua última nomeação, em 1993, para "A Lista de Schindler", Niam Neeson não voltou a ser convocado para os Óscares

Desde a sua última nomeação, em 1993, para "A Lista de Schindler", Niam Neeson não voltou a ser convocado para os Óscares

© Kevork Djansezian / Reuters

Outro intérprete consensual, no que a talento diz respeito. A sua interpretação mais forte foi o papel de protagonista na "Lista de Schindler", de Spielberg, em 1993. Nesse ano, chegou a nomeação de Melhor Ator, mas perdeu a estatueta para Tom Hanks, que interpretava um seropositivo no filme "Philadelphia". O irlandês de 63 anos conta com inúmeros prémios no seu palmarés (Baftas, globos de ouro...), mas ainda não adicionou um Óscar ao currículo. Da sua filmografia fazem parte películas como "A Missão" (1986), "Michael Collins" (1996) ou "Os Miseráveis" (1998). Nos últimos anos, tem feito muitos filmes na área da animação (Star Wars, em 1999, Batman Begins, em 2005, ou "Crónicas de Nárnia", de 2005 a 2010).

Joaquin Phoenix

Joaquin Phoenix: três nomeações, mas nenhum Óscar para juntar à prateleira dos prémios.

Joaquin Phoenix: três nomeações, mas nenhum Óscar para juntar à prateleira dos prémios.

© Danny Moloshok / Reuters

É um dos "patinhos feios " de Hollywood. Nomeado três vezes para os Óscares - em "O Gladiador" (2000), como "Melhor Ator Secundário", em Walk the Line" (2005), para Melhor Ator, e por último, em "The Master", em 2012 -, viu sempre a estatueta escorregar-lhe entre os dedos. Começou a representar muito novo, com 8 anos, ele e os quatro irmãos. Até à data, ele e o irmão River (que morreu aos 23 anos, em 1993) foram os únicos irmãos nomeados pela Academia de Hollywood - talvez venha daí a malapata... Do seu currículo fazem parte películas como "Buffalo Soldiers" (2001), "Hotel Ruanda" (2004), "A vila" (2004) e muitos outros. Nos anos mais recentes, Phoenix tem acumulado a carreira de ator com a de produtor, músico e realizador de videoclips - é dele a banda sonora de "Walk The Line", o biopic sobre o músico country Johnny Cash. Talvez por isso, a Academia de Hollywood não tenha ainda caído nas suas graças.

Johnny Depp

O eterno "menino bonito" de Tim Burton parece não ser levado a sério pela Academia de Hollywood

O eterno "menino bonito" de Tim Burton parece não ser levado a sério pela Academia de Hollywood

© Danny Moloshok / Reuters

Um excelente e versátil ator, que nunca foi verdadeiramente levado a sério pela indústria do cinema. O "menino bonito" cresceu e já tem 52 anos, imagine-se. Nomeado três vezes para os Óscares - nos filmes "Piratas das Caraíbas: a maldição da pérola negra" (2003), "Neverland" (2004), e "Sweeney Todd: o barbeiro diabólico da rua Fleet" (2007) -, nunca acabou a noite com a estatueta na mão. A verdade é que o gosto de Depp por personagens "abonecadas" (de Eduardo Mãos de Tesoura (1990) a Jack Sparrow, às numerosas parcerias com o realizador Tim Burton, como "Charlie e a Fábrica de Chocolate" (2005) ou "Alice no País das Maravilhas" (2010) nem sempre jogaram a seu favor por parte da Academia. Já poucos se lembram das participações no mítico "Platoon" de Oliver Stone, em 1986, ou em "Fear and Loathing in Las Vegas", de Terry Gilliam, em 1998. Campeão da receita nas bilheteiras, falta talvez uma grande interpretação dramática a Depp para arrebatar inequivocamente Hollywood.

Bill Murray

Bill Murray teve uma única nomeação ao Óscares em toda a sua carreira: em "Lost in Translation", 2003.

Bill Murray teve uma única nomeação ao Óscares em toda a sua carreira: em "Lost in Translation", 2003.

© Youssef Boudlal / Reuters

Nomeado uma vez, pelo seu papel no filme "Lost in Translation", de Sofia Copolla, em 2003, Bill Murray nunca reuniu grande popularidade junto da Academia. O ator de 65 anos já trabalhou com grandes realizadores como Wes Anderson, Jim Jarmush ou os irmãos Farrelly. Talvez seja a veia de comediante e a faceta de humor negro que não encaixam nos padrões de Hollywood. Escritor e ator, Murray deixa atrás de si êxitos como "Tootsie" (1982) ou "Caça-Fantasmas" (1984), filme que ganhou uma sequela em 1998, e do qual não se conseguiu verdadeiramente descolar.

E domingo 28, quem levará para casa o Óscar de Melhor Ator?