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Associação de cuidados paliativos contra manifesto pela morte assistida

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EUTANÁSIA. A morte assistida é a última das liberdades de um cidadão, que é a decisão de como morrer

JOSÉ CARLOS CARVALHO

O manifesto “morrer com dignidade”, divulgado há uma semana pelo Expresso, veio abrir o debate sobre a morte assistida em Portugal. As reações, de apoio e de recusa, nunca mais pararam. A mais recente é uma “reflexão” da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, que defende o debate público sobre a eutanásia mas repudia qualquer medida precipitada

Repúdio e oposição. Não podia ser mais clara a posição da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos em relação ao manifesto pela morte assistida, publicado pelo Expresso na semana passada e que contava com um vasto número de subscritores, das mais diversas áreas profissionais e políticas, como João Semedo, Sobrinho Simões, Alexandre Quintanilha, Rui Rio, Paula Teixeira da Cruz ou Mariana Mortágua.

No texto, a que o Expresso teve acesso, a Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos recorda que “em Portugal existem entre 72 000 e 86 000 doentes a necessitar de cuidados paliativos”, que só “cerca de 51% dos doentes internados nos hospitais são doentes paliativos e que cerca de 16% são doentes paliativos com prognóstico de 15 dias ou menos de vida” e que “dos primeiros, só cerca de 7% e, dos segundos só cerca de 10% estão referenciados para equipas de cuidados paliativos”.

Com estes números a Associação pretende demonstrar que os subscritores do manifesto estão preocupados com uma situação real, mas a esquecerem-se da que afeta mais gente: “Porque se está a revelar forte preocupação com os que eventualmente possam solicitar esta prática e não nos preocupamos, de igual modo, com os mais de 80 mil que não conseguem aceder aos cuidados paliativos?”, perguntam no texto.

“Saberão os profissionais de saúde o que são os cuidados paliativos? Saberão os signatários o que são? Será normal e aceitável não saberem, uns e outros? Porque não atuamos a este nível?”, continua a questionar o texto, continuando com a seguinte pergunta: não serão os cuidados paliativos “mais proativos na prevenção e alívio do sofrimento do que promover a possibilidade de o doente ser morto ou ser ajudado a matar-se?”

O texto questiona ainda a falta de debate público e a alegada pressa com que se quer legislar sobre o assunto, reforçando antes a necessidade de “garantir a quem precisa destes cuidados que a eles tenha total acesso, em tempo útil e prestados por profissionais técnica e cientificamente competentes na atuação perante o sofrimento.

Leia aqui a reflexão completa da APCP sobre o manifesto “Morrer com Dignidade”

  • Direito a morrer com dignidade

    O Expresso publica este sábado um manifesto em defesa da despenalização da morte assistida, assinado por 112 personalidades das mais variadas áreas da sociedade, incluindo atuais ou ex-titulares de cargos políticos como João Semedo, Paula Teixeira da Cruz, Rui Rio, Alexandre Quintanilha, Pacheco Pereira ou Mariana Mortágua. A morte assistida consiste no ato de, em resposta a um pedido do próprio, antecipar ou abreviar a morte de doentes em grande sofrimento e sem esperança de cura

  • Dignidade em fim de vida? Sim, sem eutanásia

    Depois da publicação há uma semana de um manifesto em defesa da despenalização da morte assistida, subscrito por personalidades das mais variadas áreas, Maria Galriça Neto (médica, deputada do CDS, diretora da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital da Luz e presidente da Competência de Medicina Paliativa da Ordem dos Médicos) assina uma reflexão sobre um tema que reentrou na discussão pública

  • Referendo, não obrigado

    No PS e no Bloco de Esquerda são perentórios: referendo à morte assistida nem pensar. PC não faz comentários. PSD pode refletir no tema e no CDS Assunção Cristas admite-o. Eutanásia.

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    A legalização da morte assistida entrou em fase de discussão na opinião pública muito antes de chegar ao Parlamento, onde o Bloco de Esquerda quer apresentar, durante esta legislatura, uma proposta de lei nesse sentido. Depois da publicação do manifesto “Direito a Morrer com dignidade”, no passado sábado, é tempo de perceber os conceitos que provocam posições tão extremadas entre a aceitação absoluta e a recusa inabalável