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Cheias no centro e norte do país deixam estradas e linhas de comboio cortadas

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Paulo Novais / Lusa

A baixa da cidade de Águeda continua esta tarde inundada, deixando vias cortadas que dificultam os acessos ao centro da cidade. A linha de comboio da Beira Alta continua suspensa devido às inundações

A baixa da cidade de Águeda continua esta tarde inundada, mas a principal preocupação da Proteção Civil está nos acessos, já que foram já cortadas as estradas nacionais (EN) 230 e 333, que ligam a Aveiro e a Oiã.

“É a maior cheia deste século, não tanto na cidade, que em 2001 foi mais crítica, mas o que se está a passar nas vias aqui à volta não me lembro de ter acontecido. As vias de comunicação são neste momento a nossa principal preocupação, porque põem em causa a acessibilidade à cidade”, disse à Lusa Jorge Almeida, vice-presidente da Câmara e responsável operacional da Proteção Civil.

Na zona de Assequins, a rapidez da subida das águas surpreendeu alguns automobilistas e um carro que estava estacionado ficou submerso, sendo mobilizados meios para o retirar. “O que temos é um conjunto de estradas cortadas e o trânsito aqui à volta neste momento é muito difícil, porque temos a cidade praticamente cercada e a única entrada é pelo lado norte”, explicou Jorge Almeida.

Com a EN 230, que liga Aveiro a Águeda, encerrada desde sexta-feira na Ponte da Rata, a Proteção Civil Municipal viu-se forçada a interditar a circulação também na EN 333, em Assequins, uma via que liga a Oiã e serve de alternativa à anterior na ligação a Aveiro e Oliveira do Bairro, pelo que apenas é possível circular pela EN 1 e Itinerário Complementar (IC) 2.

Na cidade, ainda que quase isolada, a situação é de alguma acalmia, com muitos “mirones” a fotografar as ruas da baixa inundadas, apesar dos apelos em sentido contrário feitos pela Proteção Civil. Os moradores das ruas mais afetadas, impedidos de sair de casa, permanecem às janelas, tentando perceber se o nível da água tende a diminuir ou aumentar.

Jorge Brito, adjunto do Comando dos Bombeiros de Águeda, disse à agência Lusa que os principais pedidos de auxílio têm sido para levarem mantimentos e medicamentos de barco, já que vivem ali várias pessoas idosas, algumas delas acamadas.

Os estabelecimentos comerciais, apesar das precauções de alguns, que colocaram barreiras nas portas, com tábuas, silicone e espuma de poliuretano, continuam com água no seu interior. “Não adianta bombear a água das lojas porque está com uma altura considerável e a água que for retirada volta a entrar”, justificou o adjunto de Comando dos Bombeiros.

A situação mais crítica ocorreu durante a noite, em que a água atingiu meio metro numa casa de habitação, danificando o mobiliário e obrigando o casal que lá vivia a pernoitar em casa de familiares.

“É difícil dizer o que vai acontecer quando ocorrer a preia-mar. Tudo depende da chuva”, observou Jorge Brito, dando conta de que os próprios bombeiros estão prevenidos de que podem ter de retirar as viaturas do quartel, como ocorreu em 2001, se a situação se repetir. “Vamos esperar e ver. Se não chover para a serra os caudais aguentam-se”, concluiu.

Derrocada em Baião, Beira Alta com comboios suspensos

PAULO NOVAIS / LUSA

Já no concelho de Baião, distrito do Porto, a derrocada parcial de um muro na freguesia de Teixeira obrigou na tarde de hoje a retirar os moradores de duas casas, estando já os bombeiros no local. Os bombeiros estão a inspecionar as condições em que ficou o que resta do muro que sustenta o solo, para avaliar se as casas, construídas numa encosta, estarão em risco.

Os serviços de proteção civil municipal de Baião estão no local, mas não prestam declarações. A derrocada do muro, alegadamente provocada pela chuva intensa que se faz sentir na região, provou a deslocação de uma grande quantidade de lama para a estrada municipal que liga Teixeira a Teixeiró.

A circulação de comboios na linha da Beira Alta mantém-se suspensa, devido à inundação do túnel de Trezói, mas os passageiros que seguiam no comboio estão já a ser reencaminhados para transbordo, disse à Lusa fonte da CP. A chuva forte que caiu durante toda a noite e parte da manhã de hoje em toda a região Centro do país inundou o túnel ferroviário do Trezói, uma situação recorrente nesta localidade do concelho de Mortágua, o que levou à suspensão da circulação na Linha da Beira Alta.

A Linha da Beira Alta é a mais afetada e “não há estimativa para a reposição da circulação”, uma vez que se trata da “zona mais crítica” devido às inundações. Esta é uma linha ferroviária internacional que liga o entroncamento ferroviário da Pampilhosa (Linha do Norte), perto de Coimbra, à fronteira com Espanha (Vilar Formoso), com percurso paralelo ao eixo do rio Mondego. Foi inaugurada em 3 de agosto de 1882.

Na Linha do Douro, no concelho de Baião, os comboios já estão a circular com normalidade, depois de a circulação ter sido suspensa esta manhã devido ao mau tempo, referiu fonte da CP.

Já em Estarreja, na linha do Norte, cuja circulação também está suspensa desde o início da manhã, a CP facultou transportes alternativos e os passageiros já estão a efetuar o transbordo, acrescentou a mesma. Quanto à reposição da circulação nas Linhas da Beira Alta e do Norte (Estarreja), fonte da Infraestruturas de Portugal disse à Lusa que estão já vários técnicos no local para tentar restabelecer a circulação nas vias férreas.

Ao início da manhã de hoje, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) aumentou para dez o número de distritos sob aviso meteorológico laranja, mais seis do que no final do dia de sexta-feira.

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    A cidade de Águeda enfrenta, de facto, as maiores cheias dos últimos anos. Mas, apesar de ser o exemplo mais flagrante, não é caso único no País. A Autoridade Nacional da Proteção Civil registou entre as 00:00 de sexta-feira e as 00:00 de sábado 458 ocorrências, de Norte a Sul.