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As mulheres programam melhor? Sim, mas só quando não dizem que são mulheres

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Estudo sustenta que a igualdade de género no mundo da tecnologia ainda está longe de ser uma realidade

O mundo da tecnologia tem dado, estudo após estudo, provas de não ser o campo em que a igualdade de género está fazer maiores progressos. Agora, esta é ideia é corroborada por um grupo de investigadores que conclui que o trabalho delas como programadoras é considerado melhor que o dos colegas homens... mas só quando elas não revelam o seu sexo.

A investigação foi feita a partir da GitHub, uma comunidade online que funciona como um repositório de código usado por mais de 12 milhões de pessoas. Os utilizadores podem ver o trabalho dos outros, sugerir melhorias e corrigir problemas, correções essas que podem ou não ser aceites pelo programador inicial.

Estes investigadores quiseram perceber quais são as correções mais bem feitas e aceites – se são as que são feitas por homens ou por mulheres. E os resultados são surpreendentes, uma vez que apesar de as mulheres fazerem mais e melhores correções, estas são muitas vezes aceites quando os seus perfis na GitHub não as identificam como mulheres.

Elas continuam a ser discriminadas

"Os nossos resultados indicam que embora as mulheres que participam na GitHub possam ser mais competentes, são discriminadas", esclarecem os autores do estudo, publicado esta semana. Depois de terem analisado cerca de 3 mil casos, percebe-se que 78,6% do código escrito por mulheres era aprovado contra 74,6% daquele que é feito por homens, relata o "The Guardian".

Para perceber esta diferença, os investigadores testaram várias hipóteses: procuraram saber se as mulheres faziam correções menores ao código e se se saíam melhor apenas em certos tipos de código. Tudo negativo. O resultado foi outro e mais surpreendente: o trabalho das mulheres é aprovado com mais facilidade se elas não se identificarem como mulheres.

Como o "Guardian" relembra, esta não é a primeira vez que a GitHub é associada a acusações de sexismo, uma questão que já levou, em 2014, à demissão do então CEO Tom Preston-Werner. O antigo lema da empresa, que se gabava de ser uma espécie de "Meritocracia Unida", também já foi comentado pelos autores deste estudo: "A ideia frequente de que repositórios abertos são uma meritocracia pura deve ser reavaliada".