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Governo remete para a TAP resposta à ameaça de boicote do Porto

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josé carlos carvalho

“A estratégia da TAP é um insulto à cidade do Porto”, diz Rui Moreira. Em causa está a suspensão de rotas na cidade

O ministro do Planeamento, Infraestruturas e Transportes remeteu esta quinta-feira para o conselho executivo da TAP a resposta à ameaça de boicote pelo presidente da Câmara do Porto na sequência de alterações de rotas que servem a cidade.

Pedro Marques falava em conferência de imprensa no final do conselho de ministros, depois de confrontado com as mais recentes posições contra a estratégia da TAP por parte do autarca Rui Moreira.

"Não farei comentários sobre a TAP no que respeita ao estabelecimento de rotas aéreas ou de frequências de rotas aéreas. As competências concretas relativas a rotas ou frequências são da comissão executiva da TAP", declarou Pedro Marques.

Ainda assim, o governante lembrou que "na altura em que foram alteradas rotas no Porto, também foram alteradas até um conjunto maior de rotas em Lisboa, com critérios económicos e de operacionalidade".

Segundo o memorando de entendimento celebrado no sábado entre o Governo e o consórcio Atlantic Gateway, dos empresários Humberto Pedrosa e David Neeleman, a comissão executiva mantém-se com três membros, nomeados pelos acionistas privados, sendo liderada por Fernando Pinto.

“Estratégia da TAP é um insulto à cidade do Porto”

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, admite apelar a um boicote da região Norte à TAP e acusa a empresa de ter em curso uma estratégia para "destruir o aeroporto Francisco Sá Carneiro", com vista à construção em Lisboa de "um novo aeroporto e uma nova ponte".

"A estratégia da TAP é um insulto à cidade do Porto e uma tentativa de destruir o aeroporto para construir um novo aeroporto, uma nova ponte e uma nova Expo [em Lisboa]. Isto é um problema de regime. Temos sido uns carneiros e temo-nos iludido com promessas sucessivas. O TGV vai acabar por ser Lisboa-Madrid. A terceira ponte [sobre o Tejo] é um grande objetivo do regime", afirma Rui Moreira.

O autarca, que falava quarta-feira de manhã durante a reunião camarária pública, promete não desistir da "guerra séria" para que a TAP, agora detida em 50% pelo Estado, restabeleça as rotas que anunciou querer suspender a partir do aeroporto do Porto, nomeadamente para Roma, Milão (Itália), Bruxelas (Bélgica) e Barcelona (Espanha).

"Esta é uma guerra séria. Vamos continuar. Não é ainda o momento de inverter a estratégia. A TAP, neste momento, não presta um serviço estratégico ao país. Não é o interesse da TAP que está a ser privilegiado. É o interesse da White [companhia privada]. Iremos fazer uma marcação à zona. Vamos continuar neste processo", assegura.

Recorde-se a Câmara do Porto acusara a TAP de ter decidido "discretamente" descontinuar o voo noturno entre Lisboa e Porto, que servia de ligação para os passageiros que vinham de voos de médio curso, a partir da Europa. "Este voo, operado pela própria TAP, com aviões Airbus A319 e A320, tinha lugar às 22h35 e viajava sistematicamente lotado", sublinhou a autarquia, em comunicado enviado à Lusa.

A transportadora aérea portuguesa, que anunciou recentemente uma 'ponte aérea' entre Lisboa e Porto a partir de março, data em que descontinuará vários voos de médio curso europeus a partir do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, "não anunciou publicamente a supressão deste estratégico voo TAP", apontou Moreira.

A Câmara do Porto diz que "já é impossível marcar voos para abril nesse voo", que terá sido descontinuado, mas um porta-voz da TAP disse desconhecer a supressão do voo das 22h35, afirmando que até 26 de março está a vigorar o horário de inverno sem estar prevista qualquer supressão.