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Sócrates dá entrevista a um jornal holandês. Mas porquê um jornal holandês?

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Ex-primeiro-ministro contou ao diário “NRC” a sua versão do processo judicial em que é suspeito de corrupção: “Isto é Kafka”

Koen Greven é correspondente em Portugal do jornal NRC Handelblad, um diário holandês respeitável. Quando José Sócrates foi libertado depois de dez meses de prisão preventiva em Évora, Greven fez o mesmo que todos os jornalistas portugueses: "Pediu uma entrevista. E nunca parou de insistir", conta Nuno Fraga Coelho, assessor de José Sócrates. O ex-primeiro-ministro acedeu ao pedido e deu uma entrevista ao jornal holandês que teve chamada de primeira página, com um título como "Não acredito que uma coisa destas possa acontecer na Europa ocidental". Mas porquê um jornal holandês? "Por nada de especial", garante o assessor. "Houve uma entrevista grande à TVI e achámos que devíamos responder ao pedido do jornal holandês. O jornalista queria contar a história."

Segundo o “Observador”, que traduziu a entrevista, José Sócrates reitera que "não existem provas" contra si e sugere que o processo judicial só existe para tentar travar uma candidatura à presidência. O jornal lembra que Sócrates esteve dez meses preso preventivamente e que continua sem saber exatamente do que é acusado. "Isto é Kafka", acrescenta o ex-líder do PS, que foi fotografado junto à Expo, na zona oriental de Lisboa.

Sobre o tempo em que esteve preso na cadeia de Évora, destinada a elementos das forças de segurança suspeitos de crime, Sócrates diz que "foi tudo menos uma prisão VIP". "Trancavam a porta da minha cela todas as noites. Tive momentos dificeis. Mas lembrava-me que o Partido Socialista tinha nascido numa cela. Muitos líderes estiveram presos." E lembra uma entrevista ao Expresso, em 2004, quando se assumiu como animal feroz: "Fui descrito como uma fera que nunca deixava a sua razão. Foi essa imagem que eles tentaram mudar, ao porem-me na cela como um passarinho morto."

José Sócrates foi preso em novembro de 2014 sob suspeita de corrpção, branqueamento e evasão fiscal. O Ministério Público ainda não concluiu qualquer acusação contra o ex-primeiro-ministro ou os outros nove arguidos do processo.