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Rui Moreira: “Se a TAP se mantém na esfera pública, tem de prestar serviço público”

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Presidente da Câmara do Porto faz pressão sobre o governo para que aumente o investimento da companhia no Porto

Cláudia Lopes

Rui Moreira defendeu hoje em conferência de imprensa realizada na Câmara Municipal do Porto que a detenção de 50% da TAP pelo Estado Português pode representar uma mais-valia para o Porto, caso sejam cumpridas as intenções demonstradas por António Costa.

O primeiro-ministro afirmou este sábado que o acordo com a TAP irá permitir que o governo tenha poder de decisão relativamente às opções estratégicas da operadora, o que inclui a manutenção do “hub” (plataforma de uma companhia que assegura um relevante número de ligações diretas a outras cidades) do Porto.

Para Rui Moreira, o sucessivo desinvestimento da TAP no Aeroporto Francisco Sá-Carneiro, que em seis anos viu o share da companhia baixar para metade, levou a que não exista “hub” no Porto. Na opinião do presidente da Câmara, essa situação só pode ser revertida com a continuidade das ligações a Milão, a Roma, a Bruxelas e a Barcelona, assim como do voo noturno entre Gatwick e o Porto, que também estaria para ser suprimido. “Se a TAP é uma empresa em que o Estado vai deter 50% do capital, em que continua a ter a definição estratégica das suas rotas, então, esta região e outras regiões devem ser bem servidas pela TAP. Se é um ativo estratégico, se vamos pagar a TAP com os nossos impostos, então deve prestar serviço público”, defende Rui Moreira.

O presidente pediu também ao governo que “acabasse com essa brincadeira da Galiza”, referindo-se à criação de uma rota entre Vigo e Lisboa, que iria resultar numa perda de passageiros para o Aeroporto do Porto.

Quando perguntado pelos jornalistas sobre a viabilidade económica da manutenção das rotas em questão, o presidente apontou para um problema de gestão que em nada tem a ver com o fluxo de passageiros do aeroporto do Porto. “Aquilo que a TAP diz é que com 100% de ocupação, ainda perderiam dinheiro. É um pouco estranho como a TAP faz as contas. Mas se é assim, das duas, uma: ou a estrutura de recursos é desadequada e a TAP tem de a adequar ao mercado, ou então não sabem fazer os preços. Esse é um problema de gestão".

Rui Moreira sublinhou o facto de outras companhias, "que não são subsidiadas com os nossos impostos" conseguirem funcionar. A Lufthansa anunciou há dias o início de um serviço para Munique com voos semanais a partir do Porto.

De acordo com Rui Moreira, há já alguns anos que a TAP tem vindo a demonstrar desinteresse pelo aeroporto do Porto, algo incompreensível quando se trata do “maior aeroporto do noroeste peninsular, o que mais tem crescido em Portugal, e que é uma porta fundamental de entrada e saída da região norte”.

Como salvaguarda, o presidente da autarquia portuense afirma que têm sido estabelecidos contactos com outras companhias aéreas no sentido de garantir continuidade para as rotas suprimidas. Essa é, porém, uma situação que gostaria de evitar. “Preferiria que as coisas se mantivessem como estão. Se a TAP se mantem na esfera pública, com reforço da definição estratégica, tem que prestar um serviço público.