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Steve Duarte: o jiadista português na imprensa francesa

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Lusodescendente é suspeito de ser o autor do mais recente vídeo do Daesh, onde mata um refém com um tiro

No final de 2014, Steve Duarte partiu para a Síria onde se tornou num operacional da propaganda do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh). No início de 2016, o filho de emigrantes portugueses do Luxemburgo de 27 anos é apontado pelas autoridades como sendo o homem encapuzado que mata a tiro um refém com um tiro na nuca, num vídeo divulgado no último fim de semana.

A história revelada na última quinta-feira pelo Expresso e pelo "Público", saltou para as páginas da imprensa de França e do Luxemburgo. A Agência France Press (AFP), o "The Huffington Post", o "L'Express", o "20 Minutes" e o "Luxemburger Wort" dão destaque ao caso, que foi revelado fora de Portugal pelo jornalista francês David Thomson, um dos maiores especialistas europeus em jiadismo.

Em França, o tema é sensível. Trata-se do país que mais tem exportado radicais da Europa ocidental, tendo também sofrido dois dos maiores atentados terroristas em 2015.

Embora tenha vivido no Luxemburgo, há muito tempo que Steve Duarte, de 27 anos, está referenciado pelos serviços de informações parisienses. "É considerado um operacional influente na estrutura do Daesh", salienta uma fonte da investigação.

Daí que a revelação do seu nome na imprensa portuguesa tenha chamado a atenção aos media locais. A AFP, que cita o Expresso, faz um pequeno perfil deste radical.

No vídeo, Steve Duarte, que discursa em francês, faz ameaças aos cidadãos portugueses e espanhóis, prometendo que um dia irão viver numa Península Ibérica 100% muçulmana: a mítica Al Andalus. Nas imagens, o lusodescendente é o líder de um grupo de mais quatro jiadistas, também de cara tapada, mas com uniformes mais escuros. Abatem cinco reféns, vestidos com fatos cor de laranja, com um tiro na nuca. Apelida-os de "espiões".

Steve Duarte tem família no centro do país e antes de se radicalizar era um cantor de hip hop, com um disco lançado em 2011 em Luxemburgo. Chegou a atuar várias vezes em bares e restaurantes da Figueira da Foz.

O Expresso contactou-o por duas vezes através do Facebook mas o lusodescendente, que respondeu sempre em português, nunca se mostrou disponível a falar sobre as razões que o levaram a aderir à Jihad.

François Hollande apressou-se a condenar as execuções filmadas pela propaganda do Daesh no norte do Iraque prometendo reforçar os ataques às posições da organização terrorista.