Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Patriarca de Lisboa apela à reflexão sobre a adoção por casais homossexuais e aborto

  • 333

Manuel Clemente, em entrevista à Renascença, defendeu que “adoção por pessoas do mesmo sexo contraria aquilo que tem sido sempre a evidência humana” e que a as pessoas que pretendem interromper a gravidez devem ser acompanhadas “para que percebam que há alternativas”

Jorge Melo

Manuel Clemente disse que “faz todo o sentido” que as questões da interrupção voluntária da gravidez e da adoção por casais homossexuais “voltem à consideração dos deputados”. Em declarações à Renascença, esta quinta-feira, o Cardeal Patriarca de Lisboa defendeu que as “as observações do Presidente da República” - quando vetou as leis -, correspondem à opinião “de boa parte da sociedade portuguesa”.

“O direito à vida começa onde a vida começa e a vida em gestação não fica fora desse direito. As pessoas que pretendem eliminar a vida em gestação devem ser devidamente acompanhadas para que percebam que da parte da sociedade há alternativas, e em relação à adoção por pessoas do mesmo sexo, ela contraria aquilo que tem sido sempre a evidência humana. É um passo em falso”, explicou Manuel Clemente.

Estas matérias vão estar novamente em discussão no Parlamento na próxima quarta-feira. No dia 25 de janeiro, Cavaco Silva não promulgou o diploma que permitia a adoção por casais do mesmo sexo, tendo igualmente devolvido à Assembleia da República as alterações à lei da interrupção voluntária da gravidez.

Questionado sobre a legalização da eutanásia, o Patriarca de Lisboa considerou tratar-se de “um assunto muito perigoso”.

“Se abrimos uma porta à legalização da eutanásia, estamos a abrir uma porta muito difícil de fechar, em que todos nós podemos, mais cedo ou mais tarde, sentir-nos muito inseguros ,se acabam por ser outros a decidir por nós ou a induzirmos a uma decisão que, no fundo, não seria a nossa se fossemos devidamente aconselhados”.