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Liga contra o cancro pede aos deputados equidade nos cuidados

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Petição com mais de 25 mil assinaturas reclama igualdade no acesso a rastreios, diagnósticos e tratamentos para todas as portuguesas com cancro da mama

No Dia Mundial do Cancro, que esta quinta-feira é assinalado, a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) vai à Assembleia da República sensibilizar o poder político para o combate a uma das neoplasias que mais mata em Portugal. Por ano, seis mil novos casos de cancro da mama são diagnosticados, tirando a vida a 1500 mulheres. "É preciso pôr a oncologia na agenda", afirma Vítor Veloso, presidente da LPCC.

A associação reuniu mais de 25 mil assinaturas numa petição pública para "exigir aos deputados eleitos que discutam o tema do cancro da mama e criem um grupo de reflexão sobre o cancro na Comissão Parlamentar de Saúde", bem como "um consenso parlamentar para produzir uma recomendação ao Governo que coloque a luta contra o cancro como uma prioridade nacional", lê-se no documento a que o Expresso teve acesso.

Em causa está a equidade nos rastreios, diagnósticos e tratamentos, sobretudo para quem tem um tumor maligno da mama.

Lisboa sem rastreios

As diferenças no acesso existem e logo no primeiro degrau, da deteção precoce das lesões. O programa de rastreio – que a LPCC assegura com a colaboração das unidades de cuidados primários, enviando cartas-convite às mulheres entre os 45 e os 69 anos para que façam gratuitamente uma mamografia – "tem 85% de cobertura no Norte, 100% no Centro e muito pouco no Sul, sobretudo na região de Lisboa", explica o médico. Estas diferenças mudam muita coisa no curso da doença. "Um tumor com menos de dois centímetros de diâmetro tem uma sobrevida aos dez anos de 85% e um tumor disseminado, com lesões noutros órgãos, terá uma sobrevida menor de 15%", consta na documentação de apoio fornecida ao Parlamento.

As variações regionais são ainda notadas ao nível do tratamento. Vítor Veloso refere "disparidades enormes conforme o hospital, incluindo no acesso a terapêuticas inovadoras". O responsável pela Liga critica também a falta de acesso à informação: "Os doentes não sabem quem trata melhor ou que medicamentos são dados nos vários hospitais."

A falta de participação do doente nas decisões sobre o seu tratamento e a auscultação das associações de doentes são outros dos 'cancros' do sistema de saúde português.

"Já está a tardar que o cancro seja considerado o principal problema de saúde pública", avisa o médico.