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Castro Caldas. “Sócrates podia ter sido investigado quando era primeiro-ministro”

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Ex-ministro de António Guterres deixa farpas à forma como a investigação a José Sócrates começou: se o caso tivesse sido conhecido quando o socialista liderava o Governo, “poder judicial estaria a atuar como devia”

Se a investigação ao ex-primeiro-ministro José Sócrates tivesse começado quando ele liderava o Governo, “o poder judicial estaria a atuar como devia”. As palavras são de Júlio Castro Caldas, antigo bastonário da Ordem dos Advogados e ministro da Defesa de António Guterres, falando à edição do “Diário de Notícias” desta terça-feira.

Recordando um parecer que escreveu no passado no Conselho Superior do Ministério Público, onde afirmava que “gostaria de viver num país em que o Ministério Público pudesse deduzir uma acusação contra o primeiro-ministro”, uma vez que isso significaria que “na arquitetura constitucional o verdadeiro poder judicial poderia fazer o seu papel”, Castro Caldas acrescenta que hoje em dia “isso já está a acontecer”: “Há meios e atrevimento” para investigar políticos.

No entanto, o ex-ministro tem críticas a fazer à forma como o processo que implica Sócrates começou e está a ser conduzido. Defendendo que “o caso Sócrates podia ter começado quando ele ainda era primeiro-ministro”, começando por declarar “que se estava a investigar o primeiro-ministro em vez de deixá-lo para o fim”, o antigo bastonário explica que não há interesse em tornar a investigação um “megaprocesso”: “Quanto mais depressa for deduzida a acusação melhor”, explica.

Crimes imputados a Sócrates terão acontecido quando era primeiro-ministro

Castro Caldas foi entrevistado pelo matutino depois de se ter deslocado a Madrid para receber o prémio Iustitia, que distingue advogados que desenvolvem trabalho no âmbito das relações ibéricas.

A Operação Marquês, no âmbito da qual o antigo governante socialista está a ser investigado, já implica 12 arguidos. Se a tese do Ministério Público se confirmar, será comprovado que Sócrates, indiciado pelos crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais, favoreceu o Grupo Lena e os promotores do empreendimento turístico Vale do Lobo, no Algarve, enquanto liderava o Governo.