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Carlos Alexandre ganha braço de ferro: ‘Ticão’ vai mesmo para a PJ

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Juiz queixou-se de não ter espaço para trabalhar e o Ministério da Justiça fez-lhe a vontade: nas férias da páscoa, o Tribunal Central de Instrução Criminal vai passar a funcionar na antiga sede da PJ

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

António Pedro Ferreira

O Conselho Superior da Magistratura e o Ministério da Justiça resolveram finalmente o diferendo entre os dois juízes do Tribunal Central de Instrução Criminal, Carlos Alexandre e Ivo Rosa. A partir das férias da páscoa, este tribunal, por onde passam os grandes processos judiciais, como o caso que envolve José Sócrates, vai passar a funcionar no quarto piso da antiga sede da PJ, em Lisboa.

Alexandre queixou-se ao Ministério da Justiça de não ter espaço para trabalhar, mas Rosa considerava que as instalações do Palácio da Justiça, onde o 'Ticão' (como é conhecido no meio judicial) estava a funcionar há mais de um ano, eram suficientes. Depois de algum impasse, Alexandre acabou por ganhar o braço de ferro.

Mas não foi fácil: o 'Ticão' funcionava há alguns anos no Campus da Justiça, em Lisboa, quando Carlos Alexandre, que na altura era o único juiz do tribunal, se queixou de falta de privacidade e segurança. O tribunal foi transferido "provisoriamente" para o Palácio da Justiça onde ficou mais de um ano. Alexandre voltou a queixar-se, alegando que não tinha espaço para trabalhar e que chegou a instalar arguidos no seu próprio gabinete enquanto esperavam para ser interrogados. Entretanto, foi nomeado outro juiz, Ivo Rosa, que numa exposição escrita enviada ao Conselho Superior da Magistratura considerava que as instalações eram suficientes.

O Ministério planeou inicialmente transferir o 'Ticão' para um edificio na rua Gomes Freire. Mas como o DCIAP (departamento do Ministério Público que se encarrega das grandes investigações) se mudou primeiro, deixou de haver espaço para Carlos Alexandre e Ivo Rosa.

O Ministério da Justiça contactou então a PJ, que não se opôs a ceder o quarto piso da antiga sede, onde funcionava a direção de Almeida Rodrigues. Os dois juízes visitaram o espaço e desta vez nenhum se opôs. Acabou assim o primeiro assalto.